A queda dos preços está se acentuando em São Paulo. Na segunda quadrissemana de agosto - últimos 30 dias terminados no dia15 -, os preços recuaram 0,54%, em média, para os paulistanos. Os dados são da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que já havia registrado deflação de 0,28% nos preços na primeira quadrissemana. Desde 1957 a Fipe não registrava taxas tão elevadas de ‘‘inflação negativa’’.
Dois itens foram importantespara a queda média dos preços: alimentos e vestuário. A queda dos alimentos foi de 1,03%, enquanto vestuário recuou 4,43%. Apesar da influência desses itens, Heron do Carmo, coordenador do Indice de Preços ao Consumidor da Fipe, diz que a queda se deve, também, a uma nova tendência de inflação para esse período do ano. ‘‘Estamos com taxa muito próxima da dos países com estabilidade econômica’’, diz o economista da Fipe. ‘‘A taxa acumulada do terceiro trimestre deste ano (julho-setembro), inclusive, vai ser negativa’’, acrescentou.
Para Heron do Carmo, a inflação está em queda, também, porque a demanda está restrita. Osreajustes salariais estão próximos da inflação média, o que limita o poder de compra dos consumidores.
A novidade da queda dos preços na segunda quadrissemana ficou por conta dos alimentos industrializados. Já os produtos de limpeza estão na contramão das quedas. A Fipe registrou alta de 1,48% na quadrissemana, tendência que o Procon e o Datafolha já tinham antecipado nas pesquisas de cesta básica.
O efeito dos reajustes das tarifas públicas, um dos itens de maior pressão desde maio, está se esgotando. E os reajustes de aluguéis, tradicional fator de pressão neste período do ano devido à maior incidência de renovação de contratos, não mostram fôlego.

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