São Paulo teve uma inflação de 4,82% no ano passado, a mais baixa dos últimos 47 anos, segundo a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP. Em 1996, o custo de vida havia subido 10,03%. A variação do ano passado é a menor desde 1950, quando a inflação no ano havia sido 3,72%. O pacote fiscal frustrou as expectativas dos técnicos da Fipe que, antes do reajuste das tarifas públicas em novembro, chegaram a prever uma inflação de 3,9% para 97.
‘‘O ajuste fiscal prejudicou nossa previsão’’, diz o presidente da Fipe, Juarez Rizzieri. Mas a queda da inflação anual de 10,03% para 4,82% é muito positiva na avaliação do economista. ‘‘Os preços em 97 subiram menos do que a metade de um ano antes’’, compara. O custo de vida só não subiu menos por causa do reajuste dos preços públicos, que, nos seus cálculos, representaram metade da variação anual. A outra metade é resultado do aumento dos preços dos alimentos, do aluguel e das despesas com educação e saúde.
‘‘Sem o aumento das tarifas públicas, a inflação ficaria próxima de 2,5%’’, calcula Rizzieri. O efeito do ajuste fiscal foi intenso em dezembro: o custo de vida subiu 0,57% no mês, mais do que a média mensal registrada ao longo do ano, que, segundo Rizzieri, é de 0,39%.
Os preços públicos não subiram apenas por causa do pacote fiscal. No ano passado, o governo aproveitou a inflação mais baixa para recuperar algumas tarifas que, estavam defasadas. Esse é o caso, por exemplo, da conta de telefone, que ficou 106,95% mais cara. A correção da tarifa de energia elétrica também superou a inflação e a conta de luz ficou 9,77% mais cara do que em 1996.
As despesas com água e esgoto também subiram 9,31%. Os preços dos combustíveis tiveram correções próximas a esse percentual. O álcool passou a custar 9,23% mais e a gasolina 8,91%. O consumidor pagou mais também pelo transporte. Andar de ônibus ficou 12,49% mais caro. A passagem de metrô subiu ainda mais: 15,51%. Com isso, os gastos gerais com transportes aumentaram em média 7,83%.
Os reajustes dos preços dos produtos in natura também surpreenderam os especialistas. Verduras, frutas e legumes ficaram em média 10,48% mais caros. Ao longo de 96, os preços desses produtos haviam subido apenas 1,79%. Em 95, chegaram a cair 5,05%. A pressão dos aumentos dos preços dos in natura sobre o conjunto de alimentos fez o preço da comida subir em média 3,60%, mais do que a média registrada em 96, que havia sido 2,12%.
Restaurantes, bares e lanchonetes reajustaram seus preços em apenas 0,48% no ano passado, isso é menos do que os 2,58% de um ano antes. Mas os preços dos alimentos industrializados subiram 1,73%, enquanto em 1996 haviam recuado 1,38%.

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