SÃO PAULO - Alimentação, mensalidades escolares e combustíveis fizeram a inflação subir em São Paulo. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fipe, teve alta de 1,23% em janeiro. Esse índice mensal, prevê o economista Heron do Carmo, provavelmente será o mais alto de 97.
O IPC no mês passado acelerou 1,06 ponto porcentual em comparação com dezembro, quando o índice havia subido apenas 0,17%. A maior parte dessa aceleração é decorrente dos reajustes dos preços dos alimentos, especialmente das verduras, legumes e frutas.
As maiores altas entre os alimentos in natura foram dos preços da abobrinha (72,54%), do mamão (33,82%), da vagem (39,43%) e da laranja (19,06%). Os preços dos alimentos tiveram reajutes médios de 7,14%.
Gasolina e álcool mais caros também contribuíram para a alta da inflação. A correção das tarifas de combustíveis fez com que o consumidor gastasse 2,75% mais com transportes no mês passado.
IGP-DIA inflação de janeiro medida pelo IGP-DI atingiu a 1,58%, taxa superior à do mês anterior (0,88%), segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mas para o economista Paulo Sidney Melo Cota, a alta não expressa uma tendência. Para ele, a inflação de 97 deverá ser muito parecida com a de 96 (9,34%).
De acordo com Cota, o resultado de janeiro apenas confirmou o que já se esperava. A inflação medida pelo IGP-DI deveu-se basicamente ao encarecimento dos produtos agrícolas, que passaram de uma variação de 1,04% em dezembro para 4,4% no mês passado: todos os anos, em janeiro, a oferta desses produtos se reduz ou por causa do calor excessivo, ou por causa de excesso de chuvas, o que leva, naturalmente, a um aumento de preços.
A laranja, ao subir 57,93% no atacado contribuiu com nada menos do que 0,525 ponto percentual para a alta de 1,67% no Índice de Preços por Atacado (IPA), índice que responde por 60% do IGP. O mamão, que encareceu 49,44%, contribuiu com outro 0,473 ponto percentual. Ou seja, mais de um ponto percentual da inflação do IPA deveu-se a apenas esses dois produtos.
O IPC, que representa 30% do IGP, aumentou de 0,44% em dezembro para 1,85% em janeiro, por influência do grupo educação, leitura e recreação, que teve variação de 5,88%. Além disso, também no varejo os preços agrícolas tiveram impacto importante: o grupo alimentação passou de uma deflação de 0,23% em dezembro para alta de 2,64% no mês passado.

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