Fipe registra alta de 0,75% em SP
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
O aumento do transporte coletivo e o impacto da desvalorização cambial no preço dos alimentos resultaram numa inflação de 0,75% na primeira quadrissemana de fevereiro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (Usp).
Na próxima semana, o índice deve aumentar para 1%, e ficar nesse nível no fechamento de fevereiro. Em janeiro, a inflação foi de 0,50%. Será a maior inflação num mês de fevereiro desde 1995, quando o IPC ficou em 1,32%. Nos anos seguintes o IPC de fevereiro foi de 0,40% (1996) e 0,01% (1997).
Nos próximos meses, a inflação deve continuar em trajetória ascendente. A previsão do economista Heron do Carmo, coordenador do IPC, é de um IPC de 8% no primeiro semestre. A inflação deve ser alta no primeiro semestre, mas os preços devem subir bem menos no segundo semestre, afirma Heron. Ele ressalva que o índice de inflação deste ano vai depender do câmbio.
Se a desvalorização do real se estabilizar rapidamente em torno de 40% ( R$ 1,70), ele acredita que a inflação de 99 ficará entre 10% e 12% ao ano. Quanto mais tempo o câmbio ficar elevado mais contamina os preços, diz o economista.
O pico da inflação este ano, na sua avaliação, será registrado em abril e maio, quando o IPC deve ficar entre 2% e 2 5%. Em junho já deve começar a recuar, com um índice em torno de 1%.
Nesta primeira prévia de fevereiro, o índice foi puxado pelo aumento de 1,21% no preço dos alimentos e pela elevação de 3,20% no custo dos transportes, por causa do aumento de 9,97% nos gastos com transportes urbanos. Esses dois itens devem continuar pressionando o IPC nas próximas semanas. A previsão do coordenador é que o custo de alimentação deve ficar acima de 2% até o fim do mês.
A previsão de inflação de 3% para fevereiro, feita pela fundação Getúlio Vargas para o IGP-M, não deve se repetir no IPC, segundo Heron. Ele lembra que o IGP-M inclui o Índice de Preços no Atacado (IPA), que sofre mais rapidamente e com mais intensidade os efeitos da desvalorização do real.


