Fipe registra alta de 0,55% em maio; ICV tem deflação
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Agências Folha e Estado São Paulo 
A inflação de maio ficou em 0,55% no município de São Paulo, taxa bem inferior ao 1,2% previsto inicialmente pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) para o mês. Os alimentos foram os grandes responsáveis pela ocorrência de uma taxa menor do que o previsto, segundo a Fipe, que acompanha diariamente a evolução dos preços na capital paulista.
Em média, os paulistanos pagaram 1,37% menos pelos alimentos no mês passado. Essa queda foi provocada por uma redução de 6,5% nos hortifrútis. Apesar dessa queda, o preço dos hortifrútis ainda está elevado. O setor mantém alta acumulada de 7% nos cinco primeiros meses deste ano, em relação aos valores praticados no final de 96.
Em junho, os alimentos não devem repetir a tendência de queda registrada em maio, diz o coordenador do IPC (Indice de Preços ao Consumidor) da Fipe, Heron do Carmo. Os preços devem ficar estáveis.
As pressões na inflação de maio vieram de vestuário e de tarifas públicas. Nesse último item, a pressão veio principalmente de energia elétrica e de telefone. Se todo o índice dependesse apenas de tarifas e vestuário, a inflação teria sido de 0,95% no mês passado. Mas só a queda dos alimentos, por exemplo, representou uma puxada para baixo de 0,42 ponto percentual.
Em junho, as pressões continuam vindo de tarifas públicas, principalmente dos custos das assinaturas de telefones. O índice deve receber, ainda, o impacto dos reajustes nas tarifas de transportes coletivos. Já o aumento de 9,8% para água e esgoto só começa a pesar no índice a partir de julho, diz Heron do Carmo.
Com a redução da taxa de maio para 0,55%, a inflação acumulada nos últimos 12 meses recuou para 7,07%. O economista da Fipe prevê novas quedas nessa taxa nos próximos meses. A inflação de 97 deve ficar em 6%.
ICV O Índice de Custo de Vida (ICV) do Dieese registrou pequena variação negativa de 0,01% em maio. O resultado surpreendeu os técnicos da instituição, que esperavam alta próxima a 0,5%. O resultado é preocupante, segundo Cornélia Porto Nogueira, coordenadora do ICV, porque revela sinais de recessão. Esses sinais são a queda de preços competitivos, como os itens alimentação (menos 1,72%) e equipamentos domésticos (queda de 2,26%), e alta inferior à esperada em itens como vestuário, que subiu 1,13%.


