O custo de vida do paulistano caiu 1% em agosto, a maior deflação mensal desde maio de 1953, quando os preços diminuíram 1,97%. No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) está com variação negativa de 0,61%, a maior desde que o índice começou a ser calculado pela Fipe, em janeiro de 1939. ‘‘Nunca tivemos um índice tão baixo num período de janeiro a agosto’’, diz o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa.
O acumulado de 12 meses soma uma inflação de apenas 0,73%, o menor resultado desde o período de novembro de 1948 a outubro de 1949, quando os preços haviam diminuído 0,50%. Esse resultado fez o instituto rever sua previsão para o ICV deste ano, estimando agora um índice inferior a 1%. A previsão anterior era que o IPC ficasse entre 1% e 1,5%.
‘‘Devemos ter outra deflação em setembro, em torno de 0,10%, mas em outubro os preços voltam a subir um pouco’’, afirma Heron do Carmo. Apesar do índice elevado, a variação negativa dos preços em agosto não surpreendeu o economista. Ele lembra que em agosto do ano passado o IPC já havia registrado um recuo de 0,73%. ‘‘Tem um componente sazonal em agosto, com a liquidação de inverno e estabilidade ou redução de outros preços’’, diz. Este ano, houve ainda diminuição no preço da gasolina e não teve aumento de tarifas públicas nesta época, como em 97.
Em agosto, o custo de habitação ficou estável, com variação de 0,05%, e diminuíram os custos de todos os outros itens que compõem o índice. A alimentação ficou 1,37% mais barata, com redução de todos os preços e mais acentuada dos alimentos in natura, que baixaram 3,25%.
Os gastos com transporte diminuíram 1,87% em agosto, com queda de 3,01% nos custos com veículo própria, apesar do aumento de 0,11% nos transportes urbanos. As despesas pessoais caíram 0,31%, com redução dos gastos com recreação e cultura (-0,58%), artigos de higiene (-0,26%) e loteria (-0,19%) e aumento apenas dos serviços pessoais, de 1,08%. ‘‘Esse aumento pode significar uma melhora na demanda por esse serviços’’, analisa Heron.
As liquidações de inverno provocaram uma redução de 3,49% nos gastos com vestuário, mas essa variação foi inferior à do ano passado nessa época, quando o vestuário baixou 5,5% em agosto. Para Heron do Carmo, esse índice mostra que os preços agora variam menos menos do que em anos anteriores, tanto na entrada da nova coleção como na queima do estoque.
‘‘A estabilidade faz o consumidor rejeitar um aumento elevado mas também fica mais sensível a uma pequena redução de preço’’, analisa. A tendência é o preço do vestuário fique estável em setembro e mais elevad em outubro, com a nova coleção.
Os gastos com saúde e educação tiveram uma pequena redução em agosto. Na saúde, diminuíram 0,41% as despesas com serviços médicos mas aumentaram 0,69% os gastos com remédios e outros produtos. Nos oito meses do ano, houve aumento do custo de vida em quatro e redução em outros quatro. Apesar da redução de 0,61% no índice geral, alguns itens tiveram aumento expressivo. Os gastos com educação aumentaram 4,67% e as despesas com saúde subiram 1,49%. Os alimentos também tiveram alta, de 0,15%.
Os outros itens contribuíram para a deflação. Os gastos com habitação diminuíram 0,60%, as despesas com transporte baixaram 0,44%, as despesas pessoais caíram 3,39% e o preço do vestuário diminuiu 2,87%.

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