Fipe registra a maior queda desde 1939
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quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Agência Estado 
O custo de vida do paulistano caiu 1% em agosto, a maior deflação mensal desde maio de 1953, quando os preços diminuíram 1,97%. No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) está com variação negativa de 0,61%, a maior desde que o índice começou a ser calculado pela Fipe, em janeiro de 1939. Nunca tivemos um índice tão baixo num período de janeiro a agosto, diz o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa.
O acumulado de 12 meses soma uma inflação de apenas 0,73%, o menor resultado desde o período de novembro de 1948 a outubro de 1949, quando os preços haviam diminuído 0,50%. Esse resultado fez o instituto rever sua previsão para o ICV deste ano, estimando agora um índice inferior a 1%. A previsão anterior era que o IPC ficasse entre 1% e 1,5%.
Devemos ter outra deflação em setembro, em torno de 0,10%, mas em outubro os preços voltam a subir um pouco, afirma Heron do Carmo. Apesar do índice elevado, a variação negativa dos preços em agosto não surpreendeu o economista. Ele lembra que em agosto do ano passado o IPC já havia registrado um recuo de 0,73%. Tem um componente sazonal em agosto, com a liquidação de inverno e estabilidade ou redução de outros preços, diz. Este ano, houve ainda diminuição no preço da gasolina e não teve aumento de tarifas públicas nesta época, como em 97.
Em agosto, o custo de habitação ficou estável, com variação de 0,05%, e diminuíram os custos de todos os outros itens que compõem o índice. A alimentação ficou 1,37% mais barata, com redução de todos os preços e mais acentuada dos alimentos in natura, que baixaram 3,25%.
Os gastos com transporte diminuíram 1,87% em agosto, com queda de 3,01% nos custos com veículo própria, apesar do aumento de 0,11% nos transportes urbanos. As despesas pessoais caíram 0,31%, com redução dos gastos com recreação e cultura (-0,58%), artigos de higiene (-0,26%) e loteria (-0,19%) e aumento apenas dos serviços pessoais, de 1,08%. Esse aumento pode significar uma melhora na demanda por esse serviços, analisa Heron.
As liquidações de inverno provocaram uma redução de 3,49% nos gastos com vestuário, mas essa variação foi inferior à do ano passado nessa época, quando o vestuário baixou 5,5% em agosto. Para Heron do Carmo, esse índice mostra que os preços agora variam menos menos do que em anos anteriores, tanto na entrada da nova coleção como na queima do estoque.
A estabilidade faz o consumidor rejeitar um aumento elevado mas também fica mais sensível a uma pequena redução de preço, analisa. A tendência é o preço do vestuário fique estável em setembro e mais elevad em outubro, com a nova coleção.
Os gastos com saúde e educação tiveram uma pequena redução em agosto. Na saúde, diminuíram 0,41% as despesas com serviços médicos mas aumentaram 0,69% os gastos com remédios e outros produtos. Nos oito meses do ano, houve aumento do custo de vida em quatro e redução em outros quatro. Apesar da redução de 0,61% no índice geral, alguns itens tiveram aumento expressivo. Os gastos com educação aumentaram 4,67% e as despesas com saúde subiram 1,49%. Os alimentos também tiveram alta, de 0,15%.
Os outros itens contribuíram para a deflação. Os gastos com habitação diminuíram 0,60%, as despesas com transporte baixaram 0,44%, as despesas pessoais caíram 3,39% e o preço do vestuário diminuiu 2,87%.


