Fipe refaz conta e projeta taxa de 4%
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terça-feira, 11 de novembro de 1997
Agência Estado 
São Paulo
Vanderlei Almeida/AFPNatal magroComércio já iniciou promoções para pagamento à vista: receio é de que juro alto e novas medidas afastem o consumidor nos melhores meses de vendas A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP refez as expectativas de inflação para o mês. Se o aumento das tarifas de combustíveis começassem a vigorar até dia 15 (ontem mesmo o governo confirmou que o reajuste começa a valer na segunda-feira, 17), o custo de vida em São Paulo deveria subir 0,35%, segundo o economista Heron do Carmo, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). Ele previa até a semana passada uma variação de 0,2% em novembro e de 3,9% para 1997. Agora, segundo ele, dificilmente a inflação ficará abaixo de 4% no ano, embora o impacto das medidas sobre os preços seja pequeno, na sua opinião.
Gasolina e álcool 5% mais caros vão elevar os gastos dos consumidores com combustíveis em 0,24 ponto porcentual. Como as novas tarifas só devem entrar em vigor na metade do mês, o impacto será gradual no IPC. Uma parte deve entrar este mês e a outra metade em dezembro. Os gastos com combustíveis representam 4,93% do custo de vida e a expectativa de Heron do Carmo é que o aumento dessas despesas represente um acréscimo à inflação do mês de 0,12%. As despesas com gás pesam bem menos no custo de vida: 0,68%. Por isso, um reajuste de 5% representaria um acréscimo de 0,03% à inflação.
Para dezembro, a previsão é de inflação próxima de 0,1%. A expectativa anterior era de uma variação zero para o próximo mês. As previsões de Heron do Carmo, no entanto, ainda não incluem o reajuste do IPI sobre carros e bebidas. O aumento do IPI terá pouco efeito sobre os preços ao consumidor, segundo ele. O repasse para o preço da cerveja, por exemplo, não é tão instantâneo, afirmou. As medidas anunciadas ontem, avalia, deverão provocar forte desaceleração da economia.
Essa retração das vendas no varejo, aliada à desindexação da economia, praticamente elimina os riscos de repasse do aumento das tarifas para os preços ao consumidor, segundo Heron do Carmo. A economia está desindexada, o mercado de trabalho está ruim e quem aumentar muito pode não vender, avaliou. Na última vez que as tarifas de combustíveis foram reajustadas, lembra o economista, os aumentos não se sustentaram por muito tempo. Assim que as novas tarifas entraram em vigor, os postos de gasolina elevaram seus preços, mas a concorrência e a queda no consumo forçaram uma redução. Os preços dos combustíveis estão em queda há praticamente quatro meses, segundo a pesquisa. Em outubro, as tarifas haviam recuado 0,7%.


