Fipe projeta taxa de 0,82% até agosto
Fipe projeta taxa de 0,82% até agosto
Os reajustes das tarifas públicas vão trazer a inflação de volta a São Paulo. Os aumentos já anunciados de telefone (9,5%) e de energia elétrica (20,96%) serão responsáveis por uma inflação de 0,82% nos próximos três meses. Se as tarifas de água e esgoto tiverem um aumento próximo a 10%, será mais 0,27% de inflação.
Ou seja, apenas essas três tarifas poderão responder por 1,09% de inflação no terceiro trimestre de 99. Essa taxa representa metade de toda a inflação provocada pela desvalorização cambial no período de fevereiro a junho (2,28%).
Os cálculos são de Heron do Carmo, coordenador do Indice de Preços ao Consumidor. Para o economista, esses reajustes acentuados nas tarifas públicas acabam com a perspectiva de deflação no período de julho a setembro com que a Fipe trabalhava.
Para Heron do Carmo, esses aumentos precisam ser melhor explicados porque são itens importantes no bolso do consumidor. Não dá para engolir a seco, diz. O economista lembra que o aumento da energia elétrica em São Paulo, por exemplo, supera toda a inflação acumulada de 96 a 99, que deve ficar em 18,9%. Com esse aumento, o acumulado da energia no Plano Real sobe para 75,5%, superando a taxa média de inflação de 69% no período.
Heron do Carmo diz que ele esperava aumentos nas tarifas próximos a 8%, taxa registrada pelo IGP-M nos últimos 12 meses. Esses aumentos das tarifas públicas vão pesar no item habitação.
Outro setor que pode sofrer aumento nos próximos meses é o de transporte, se houver alta nos preços do álcool. A inflação pode subir ainda mais se os preços do álcool voltarem aos patamares de um ano atrás, como quer o setor. Nos últimos 12 meses, a Fipe registrou uma queda nominal de 33% nos preços do álcool. Para voltar aos patamares praticados há um ano, os preços deveriam subir 50%. O peso na taxa de inflação seria de 0,65 ponto percentual. Apesar das tarifas, a Fipe mantém sua previsão de 6% de inflação para 99. Essas altas devem ser compensadas, em parte, pelo recuo nos preços de alimentos e de vestuário.





