Agência Folha
Apesar da desvalorização do real em janeiro, do tarifaço das últimas semanas e da entrada em vigor da CPMF, a inflação vai continuar recuando em relação ao que se previa anteriormente. Agora, a Fipe já está prevendo uma taxa próxima a 5% para 1999, bem abaixo dos 12% esperados logo após a desvalorização do real.
Essa pressão menor dos preços, que acaba provocando uma taxa mais amena de inflação para os paulistanos, se deve à conjugação de vários fatores, diz Heron do Carmo, coordenador do Indice de Preços ao Consumidor da Fipe. Os preços ainda sofrem os efeitos da recessão, diz ele. Só a partir do terceiro trimestre é que a recuperação da economia deverá ser sentida, e de forma lenta. Na segunda quadrissemana de junho a taxa foi novamente de deflação (-0,35%). A abertura da economia nesta década também está sendo um fator preponderante para a queda de preços. Para enfrentar a concorrência externa, as indústrias reduziram seus gastos e tornaram seus produtos mais competitivos no mercado. Ou seja, o ganho de produtividade permitiu uma redução de preços, diz Heron do Carmo. O ganho de produtividade não ficou só na indústria, diz o economista. Ocorreu também na agricultura e agora está sendo registrado também no comércio. Um dos principais setores de ganho de competitividade no comércio foi o de supermercados, que hoje operam com margens bem menores do que antes, diz ele.
Para o economista da Fipe, essa preocupação de todos os setores econômicos de eliminar as ineficiências tem permitido uma redução de preços. Heron do Carmo está apostando em 5% para este ano - se não houver geada nas próximas semanas - porque não há fortes pressões de preços nos próximos meses.
Neste mês, por exemplo, os preços devem ficar estáveis. Assim, a inflação do semestre será de 2,6%, bem abaixo dos 8% previstos para o período janeiro-junho deste ano logo após a desvalorização do real. Para que a inflação fique próxima de 5% em 99, as taxas médias de julho a dezembro terão de ficar em 0,4%.

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