São Paulo – A inflação de 0,29% medida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, na primeira quadrissemana de março, ficou dentro das previsões do mercado financeiro. Economistas ouvidos pela Agência Estado esperavam uma taxa entre 0,20% e 0,35%. No fechamento de fevereiro, a inflação medida pelo IPC-Fipe em São Paulo ficou em 0,26%.
A Fipe elevou a projeção de inflação para março de 0,10% para 0,30%. O coordenador-adjunto do índice, Juarez Rizzieri, elevou também a previsão de inflação para o ano de 4% para 4,5%.
Ele disse que a elevação da previsão para março decorre principalmente da resistência à queda do grupo de alimentação. Este item vem se mantendo no nível de 0,85% a 0,87% desde a segunda quadrissemana de fevereiro. Na primeira quadrissemana de março, período de 30 dias encerrado no último dia 7, o grupo de alimentação subiu 0,85%, mostrando um recuo de apenas 0,02 ponto porcentual na comparação com sua taxa fechada de fevereiro, de 0,87%.
O subgrupo de produtos in natura pressionou o índice com uma alta de 3,01%. Os produtos que mais subiram foram leite longa vida (10,65%), batata (8,09%), frutas de época (13,44%), ovos (4,23%), café em pó (3,31%), tomate (4,24%) e cenoura (9,26%). Segundo Rizzieri, este grupo de produtos já deveria estar apresentando queda. No entanto, a persistência da alta reflete um começo de ano tumultuado no quadro agrícola
.
Para o economista, esse segmento começou a apresentar problemas com a retenção do arroz pelos produtores gaúchos e pela quebra de safra de feijão e milho no Rio Grande do Sul por causa da seca. Ao mesmo tempo, a crise econômica argentina prejudicou a entrada no País de trigo e milho, produtos que acabam afetando uma grande parte da cadeia alimentícia industrial.
Além disso, os produtos hortifrutigranjeiros estão refletindo a combinação de um aumento de demanda com uma redução da oferta, mesmo estando o clima regularizado em relação ao começo do ano. ‘‘O grupo de alimentação deverá continuar no mesmo ritmo no decorrer do mês de março, registrando a dificuldade dos produtores em programar seus preços’’, afirmou Rizzieri.
Ele justifica o aumento da previsão de março com o reajuste anunciado pela Petrobras de 9,39% no preço da gasolina nas refinarias. De acordo com o economista, na bomba o consumidor deverá pagar 8% a mais pela gasolina. Esse reajuste refletirá no índice duas vezes, ou seja, 4% já captados pelo IPC-Fipe de março e 4% na inflação de abril.

mockup