Fipe prevê inflação anual abaixo de 10%
A queda do dólar, a pressão menor dos preços dos alimentos e a recessão provocaram forte redução da taxa de inflação no mês passado e mudaram as perspectivas inflacionárias para este ano. A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que esperava uma taxa de inflação de até 12% em 1999, já prevê uma taxa de apenas um dígito, ou seja, abaixo de 10%.
Essa alteração na previsão anual da Fipe ocorreu depois que a instituição apurou a inflação de março: 0,56%. Foi uma surpresa, diz o coordenador do Indice de Preços ao Consumidor da Fipe, Heron do Carmo. No início de março, enquanto algumas instituições financeiras previam taxa superior a 2% para o mês passado, a Fipe esperava uma inflação de 1,5%, o que acabou não se confirmando.
O economista da Fipe explica que as previsões eram de taxa elevada porque o dólar começou o mês sendo negociado acima de R$ 2,00. O clima era de muito pessimismo. Estava prevista até mesmo uma nova rodada de aumentos de preços, o que acabou não ocorrendo.
O cenário mudou e Heron do Carmo, que previa uma inflação de 2% para abril, diz que o pico inflacionário de 1999 já pode ter sido registrado em fevereiro, quando os preços subiram, em média, 1,41%. O comportamento da inflação neste mês vai depender de vestuário. A taxa geral deve oscilar entre 1% e 1,5%. Mas o coordenador do IPC da Fipe não prevê muita pressão neste mês em vestuário, como ocorreu no ano passado. Os preços desse item já tiveram pequena recuperação e não devem subir tanto em abril, acredita ele.
Em março, a queda acumulada foi de apenas 1,01%, contra uma redução de 5,18% no mesmo mês de 98. Como os preços do setor caíram muito em março de 98, os preços acabaram subindo 6,59% no mês seguinte, o que é pouco provável que ocorra em 99.
As expectativas são muito importantes para a formação da taxa de inflação, segundo o coordenador do IPC da Fipe. E o cenário melhorou com o dólar mais baixo. A moeda norte-americana no patamar atual de R$ 1,70 não causa mais estragos na inflação. O estrago já foi feito, acrescenta.
A previsão de uma inflação menor é importante porque, quanto menor a alta dos preços, menor a crise. A queda do poder aquisitivo dos consumidores é menor e abre-se a perspectiva de um cenário de crescimento econômico já no último trimestre deste ano, conclui.
A inflação do primeiro trimestre foi de 2,49% em São Paulo, segundo a Fipe. A taxa deve subir, ainda, porque tradicionalmente o segundo trimestre é o período de maior pressão, diz Heron. A partir do segundo semestre, no entanto, a pressão diminui. Nos últimos 12 meses, a taxa subiu para 0,81%, contra 0,01% até fevereiro.





