São Paulo - A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) estima que, pelo menos em fevereiro e março, deverá ocorrer deflação em São Paulo. Com isso, no que depender do desempenho dos índices que medem a variação do custo de vida, o caminho para que o Banco Central opte pela queda dos juros estaria aberto, segundo a Fipe.
A expectativa é decorrente do resultado do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de janeiro, calculado pela instituição, que reverteu a trajetória de alta das quadrissemanas anteriores, fechando o mês em 0,57%.
Essa variação, medida sob diversas pressões tanto de preços livres como os administrados pelo governo, está bem acima da registrada no mesmo mês do ano passado, quando o IPC ficou em 0,38%. É também muito superior ao índice de dezembro, de 0,25%; mas já indica reversão de comportamento em relação à quadrissemana anterior, que teve 0,68% de alta.
O coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo, considera até mesmo a possibilidade de deflação ou estabilidade em abril. ‘‘Até abril, a inflação acumulada no ano deve ser menor do que a variação de 0,57% registrada somente em janeiro’’, prevê. Contudo, ele ressalta que, como no resultado acumulado em 12 meses a inflação já mostra alta de 7,33%, será preciso que cada mês deste ano apresente taxa inferior à do mesmo período de 2001 para os índices convergirem para a meta de 3,5%. ‘‘Não é um objetivo fácil a ser cumprido, mas é perfeitamente possível’’, diz o coordenador do IPC.
Isso poderá ocorrer, conforme o economista, porque as pressões que elevaram o IPC em janeiro já perdem força. Entre os efeitos que contribuíram para a alta do índice no mês passado e serão esgotados em fevereiro estão os aumentos nos alimentos, os reajustes nas mensalidades escolares, a alta no gás de botijão, entre outros itens de peso no cálculo.

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