O custo de vida do paulistano deverá fechar maio com deflação de 0,3%, podendo recuar até 0,4%, segundo previsão da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Os números mostram que a queda no nível geral de preços chegou antes do esperado, provocada pela desaceleração das cotações dos alimentos e dos artigos de vestuário, que já estavam fazendo com que o índice ficasse abaixo do previsto há algumas semanas.
Na terceira prévia de maio, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe registrou deflação de 0,19%, ante alta de 0,12% na segunda quadrissemana. É o primeiro resultado negativo após 18 semanas de alta. A última deflação (-0,12%) ocorreu em dezembro de 98.
‘‘Esperávamos deflação para maio, não na terceira prévia do mês’’, diz o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, que prevê agora deflação de 0,3%, depois de revisar várias vezes as estimativas. Inicialmente, ele apostava que o IPC ficaria em 0 6%, depois em 0,35%. Já o presidente da Fipe, Juarez Rizzieri, não descarta a possibilidade de o IPC fechar maio em -0,4%.
Ao contrário do ano passado, a deflação registrada ontem pelo IPC da Fipe não significa um aprofundamento da recessão. ‘‘Não se trata de um resultado de política econômica’’, enfatiza Heron. Ele explica que, com o recuo do dólar, alimentos e produtos industrializados, que tinham subido muito depois da desvalorização, registram agora taxas negativas ou reajustes bem menores que nas semanas anteriores. O IPC acumulado de janeiro a maio deverá ficar em 2,6%. Por enquanto, Heron mantém previsão de 6% para o ano.

mockup