Fipe mostra novo recuo da inflação
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997
Agência Estado<br> de São Paulo 
A inflação em São Paulo já teve um bom recuo na primeira quadrissemana de fevereiro, período de 30 dias terminados em sete de fevereiro em comparação com os 30 dias anteriores. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe) subiu 0,68%. A alta anterior havia sido 1,23%, a maior desde agosto de 96, quando a taxa ficou em 1,31. A tendência de queda vai manter-se até o fim do mês e a inflação não deve ultrapassar 0,2% em fevereiro.
Praticamente todos os itens importantes da pesquisa tiveram variações menores. Mas a redução dos gastos com alimentação e com combustível foi o que mais contribuiu para a queda da inflação. Os preços dos alimentos subiram 1,01%. A média dos reajustes, no período anterior, havia sido 1,64%. O recuo se deve especialmente ao custo da comida in natura, que está subindo bem mais devagar.
Frutas, verduras e legumes ficaram em média 4,43% mais caras. No mês passado, os preços desses produtos haviam subido em média 7,14%. Os alimentos semi-elaborados subiram 0,96%, um pouco mais do que no mês passado. Os preços dos industrializados ficaram praticamente estáveis, apesar da alta de alguns produtos, especialmente café (6,60%) e açúcar (6,5%). A tendência dos industrializados continua sendo de estabilidade porque a queda de preço de alguns produtos, como os de panificação, evita alta generalizada, explica o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa da Fipe.
O impacto do reajuste das tarifas de combustível também já é menor no bolso do consumidor. Os gastos com transportes, que haviam subido 2,75% em fevereiro, aumentaram, na primeira quadrissemana de fevereiro, 1,36%. Despesas com veiculo próprio, que incluem gasolina e álcool, subiram 2,16%, dois pontos porcentuais menos do que no mês passado.
Mensalidades escolares e despesas com saúde também tiveram menor impacto no custo de vida. Os gastos com matrículas e mensalidades escolares, que chegaram a subir 11,34% no mês pasado, tiveram alta de 8,39%. O mesmo aconteceu com saúde. Remédios e serviços médicos subiram num ritmo bem menor e as despesas com saúde aumentaram 0,42% - 0,72 ponto porcentual menos do que no período anterior.
Liquidações de verão continuam contribuindo para segurar a inflação. Os preços das roupas tiveram queda de 3,61%. Ao longo do mês passado, já haviam recuado 2,98%. Despesas pessoais também aumentaram um pouco menos e habitação, que teve variação de 0,32%, ficou praticamente estável. Numa hipótese mais otimista, prevê Heron do Carmo, a inflação pode cair este mês para 0,1%. Mas ainda estamos trabalhando com 0,2%, ressalva.
Até julho, esse ritmo de queda deve manter-se facilmente, avalia o economista. Mas a partir de agosto, quando a variação mensal não deverá passar de 0,5%, o governo vai ter muitas dificuldades para fazer com que a inflação continue recuando no mesmo ritmo. Só com as reformas necessárias, lembra o economista. As dificuldades vão ser ainda maiores em 1998, quando o governo vai tentar fazer a inflação anual ficar abaixo de 6%. 98 vai ser complicado para o governo, avalia Heron do Carmo.


