A pressão do dólar diminuiu e a inflação está perdendo fôlego em São Paulo. Após uma previsão de até 12% de aumento médio nos preços neste ano, feita após a desvalorização do real em janeiro, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) agora prevê uma taxa próxima a 7%. Mesmo assim, essa é uma taxa conservadora, uma vez que para chegar aos 7% Heron do Carmo, economista responsável pelo Indice de Preços ao Consumidor da Fipe, está estimando uma taxa média de 0,50% para os outros oito meses do ano.
Heron do Carmo não descarta, no entanto, taxas de deflação no período de julho a setembro, o que derrubaria ainda mais a inflação anual. Bastariam dois meses de estabilidade nos preços e taxa de 0,50% nos outros seis para a inflação de 99 recuar para 6%. No ano passado, as menores taxas ocorreram exatamente neste período. Em julho, os preços recuaram 0,77% em São Paulo e em agosto a queda foi maior ainda, atingido 1%, segundo dados da Fipe.
A inflação de abril ficou bem distante das expectativas iniciais. Os técnicos da Fipe previam uma taxa de 2%, mas a evolução média dos preços acabou ficando em apenas 0,47%. Segundo Heron do Carmo, a pressão menor do dólar - que na época das previsões de 2% de inflação estava acima de R$ 2 - e a queda dos preços dos alimentos foram os fatores preponderantes para a queda da taxa. Os alimentos caíram, em média, 1,18% no mês passado.
A queda foi provocada por uma pressão menor do dólar sobre as commodities e também pela maior oferta de produtos. Este é um período do ano em que está terminando a safra de vários produtos, como arroz, soja e feijão. Esses foram os que mais caíram no período. A liderança ficou com o feijão, que chegou à mesa dos consumidores paulistanos com queda de 11% nos preços no mês passado. Já o arroz caiu 5,8%, e o óleo de soja, 5%. A maior oferta de cereais derrubou também os preços do frango (4%), o mesmo ocorrendo com a carne bovina (1,6%).
A Fipe destaca, ainda, a queda de 1,5% nos preços do pão francês, que subiu muito depois da maxidesvalorização do real, devido ao trigo importado. No caso do pão e da carne bovina, a queda de preços se deve à pressão menor do valor do dólar.
Mas, se a taxa média de inflação perde fôlego em São Paulo, o mesmo não ocorre com os produtos industrializados, que ainda sofrem o impacto da desvalorização. E vão continuar sofrendo, de forma gradual, até o final do ano, diz o economista da Fipe.
Nos quatro primeiros meses deste ano, por exemplo, os artigos de limpeza subiram 9,32%. Os alimentos industrializados ficaram 6,68% mais caros, enquanto os aparelhos de imagem e de som subiram 11,78%. Os artigos de higiene e de beleza tiveram alta de 4,15% no período.
O vestuário foi o que mais pressionou a taxa de abril, por causa da entrada da nova estação (outono/ inverno). A alta em abril foi de 6,53%, contra queda de 1,01% em março. As maiores elevações foram de roupa de mulher (8,73%), de homem (8,66%) e tecidos (8,25%). A previsão de Heron do Carmo é que o vestuário tenha taxa crescente na primeira quadrissemana de maio, devido ao Dia das Mães, perdendo fôlego em seguida.
A inflação de maio deve superar a de abril, podendo ficar em 0,60%, estima Heron do Carmo. A alta se deve ao fim das quedas de preços dos alimentos, o principal item de peso na inflação medida pela Fipe.
A inflação acumulada nos últimos 12 meses em São Paulo recuou para 0,66%, após ter atingido 0,81% em março. Já no Plano Real, a alta acumulada dos preços é de 69,97%. A tendência de queda da taxa de inflação é importante, diz Heron do Carmo, porque alivia a recessão, corrói menos o poder aquisitivo dos consumidores e não acelera a taxa de desemprego.

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