Com o dólar pressionado, as previsões de inflação continuam sendo revistas para cima. Ontem, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) refez os cálculos para este mês e, agora, espera até 1,50% para os preços na cidade de São Paulo. A projeção anterior era de 1,20%.
Nos 30 dias que se sucederam à desvalorização do real, os preços subiram, em média, 1,03%, conforme dados divulgados ontem. Para um período semelhante, a Fundação Getúlio Vargas divulgou um aumento médio de 2,64%. Heron do Carmo, coordenador do Indice de Preços ao Consumidor da Fipe, explica que essa diferença de taxa é normal. A da FGV foi fortemente influenciada pelo aumento dos preços no atacado, ou seja, os custos das empresas.
A taxa de inflação da Fipe leva em conta só os preços no varejo, como os aumentos nos supermercados, feiras etc. Heron do Carmo explica que, enquanto as indústrias recebem repasses imediatos devido à alta do dólar, os aumentos para as redes de varejo demoram mais para chegar.
O economista da Fipe diz que a desvalorização do real provocou forte desajuste nos preços e que só após junho é que eles vão estar novamente alinhados. Até lá, vão ocorrer aumentos espalhados pelos diversos setores de economia. Quando a pressão no atacado diminuir, será a vez dos aumentos para os consumidores.
Apesar desse quadro, o economista diz que a concentração inflacionária deve ocorrer de fevereiro a maio. O pico deve ser em abril, para quando a Fipe espera uma alta de 2%. Em março a inflação deve ser de 1,5%, e em maio, de 1,8%.

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