Fipe aponta menor inflação desde 1958
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quarta-feira, 05 de março de 1997
Agência Estado, de São Paulo 
Arquivo FolhaSob controleA corrida às ofertas populares das lojas foi fator favorável para controlar a inflação do mêsA inflação em São Paulo recuou e chegou quase a zero em fevereiro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe), teve alta de apenas 0,01%, a menor num mês desde dezembro de 1958, quando a variação foi zero. Além do recuo nas despesas com comida, as promoções e descontos em diversos setores ajudaram a frear os preços. A tendência deve se manter e a inflação este mês deve ficar perto de 0,2%.
Segundo o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa, a economia ganhou no mês passado mais um freio para os preços: promoções, liquidações e descontos. Esse efeito ajudou a derrubar preços de roupas, gasolina, remédios e até de mensalidades escolares. A concorrência obrigou muitos postos de gasolina a reduzir preços nos pagamentos à vista. Isso contribuiu para que o custo da gasolina recuasse 0,79%. Algo parecido, compara Heron do Carmo, aconteceu em outros setores.
As liquidações nas lojas de shoppings e de ruas foram antecipadas e as roupas ficaram em média 3,63% mais baratas. As farmácias, segundo o economista, também devem ter apelado para os descontos. As promoções fizeram cair o custo dos medicamentos em 1,20%. Com isso, os gastos com saúde aumentaram apenas 0,25%. A alta no mês anterior havia sido de 1,20%.
O consumidor gastou também 0,18% menos com educação. Segundo Carmo, é possível que algumas escolas tenham oferecido descontos nas matrículas e mensalidades escolares, que chegaram a ficar 0,09% mais baratas. Nesse item só teve alta mesmo os gastos com livro didático, que passaram a custar 2,33% mais.
Embora praticamente todos os itens tenham registrado variação menor do que um mês antes. A principal conbribuição para o recuo do índice ainda foi a alimentação. A comida ficou 0,76% mais cara. Os reajustes, porém, ficaram abaixo da média do mês anterior, que havia sido 1,51%. Carne de frango 4,93% mais barata freou os reajustes dos demais tipos de carne e fez com que os preços dos semi-elaborados recuassem 0,49%.
O custo dos produtos in natura subiu bem mais devagar do que um mês antes. As chuvas de janeiro fizeram com que esses alimentos ficassem 7,14% mais caros. Em fevereiro, a alta foi de 2,03%. Só os preços dos industrializados subiram mais. Esses alimentos ficaram 1,78% mais caros. Mas os reajustes se concentraram no café (14,95%), açúcar (6,42%) e óleo de soja (2,60%). Esses itens são commodities e a alta da cotação no mercado internacional provocou correções de preços no mercado interno.
Os preços este mês devem ficar pelo menos estáveis, prevê Carmo. As liquidações de roupas, na sua opinião, devem se estender por mais um mês. Este ano, elas começaram mais cedo, mas como tradicionalmente ocorre, só devem terminar no fim de março. Se isso não acontecer, a previsão mais pessimista do economista é uma inflação de 0,02%. Mas pode ficar abaixo disso se as liquidações forem mantidas.


