Fipe aponta inflação de 0,39% em 30 dias
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quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Agência Estado São Paulo 
A inflação mantém tendência de queda em São Paulo. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP), subiu 0,39% na segunda quadrissemana do mês, período de 30 dias terminados em 15 de janeiro - comparado com os 30 dias anteriores. A alta na primeira quadrissemana havia sido 0,47%. Esse recuo é consequência da queda nos preços das roupas e da redução dos gastos com transportes.
Passado o impacto do aumento das tarifas de combustíveis, as despesas com transportes recuaram 0,03%. Com o início das liquidações de verão, os preços das roupas também começam a cair. O consumidor gastou 0,5% menos com vestuário. A maior queda foi do custo das peças femininas, que ficaram em média 1,42% mais baratas.
Os gastos com moradia também estão subindo menos: 0,13%. Isso é reflexo da redução dos gastos com tarifas públicas, especialmente gás, e do recuo nas despesas com condomínio. Normalmente o conodomínio fica mais caro em dezembro, por causa do pagamento do 13º salário dos funcionários, e começa a recuar em janeiro.
Entre os itens que estão pressionando o custo de vida destacam-se alimentação e educação. O consumidor gastou 0,90% mais com comida. Ao contrário do que normalmente acontece em janeiro, os preços dos alimentos in natura estão subindo mais devagar do que em dezembro. No mês passado, esses alimentos ficaram 4,06% mais caros. Agora, o reajuste médio dos preços desses produtos ficou em 2,81%.
Mas a pesquisa da Fipe registrou um aumento de 1,08% no custo dos alimentos industrializados. Segundo o coordenador da pesquisa, Heron do Carmo, isso é consequência da alta dos juros. Acho que as empresas estão repassando o aumento dos juros para os preços, avalia. A reposição de estoques do varejo estimula as vendas da indústria, o que pode estar incentivando o repasse dos juros para os preços.
Por isso, o economista prevê uma alta dos preços dos alimentos este mês. O consumidor, diz, vai gastar mais também com educação. As matrículas escolares subiram 3,21%. Embora existam dois ítens de pressão, a inflação em janeiro deverá ficar perto de 0,5%, muito abaixo de 97, de 1,23%.
A correção das tarifas de ônibus não muda a previsão de inflação para janeiro. Vai pesar mesmo no custo de vida de fevereiro, que deverá ter alta de 0,3%.


