O custo de vida continuou perdendo fôlego pela terceira semana consecutiva este mês, apesar da alta dos alimentos e das despesas com educação. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) no município de São Paulo, fechou a terceira quadrissemana de janeiro (trinta dias encerrados no dia 23) em 0,33%. A queda é de 0,06 ponto percentual em relação à segunda quadrissemana do mês, que, por sua vez havia recuado 0,08 ponto percentual na comparação com a primeira quadrissemana.
Por conta dessa queda, o economista Heron do Carmo, um dos coordenadores do IPC da Fipe, refez as projeções do índice para este mês. A expectativa inicial era encerrar janeiro com variação de 0,5% no custo de vida. Agora, a estimativa é que o IPC deste mês oscile entre 0,3% e 0,4%, o menor índice de inflação registrado em janeiro desde a implantação do Plano Real. Se não fosse o reajuste das passagens de ônibus urbanos, que deve ter impacto no IPC a partir da última semana de janeiro, a inflação deste mês ficaria entre 0,25% e 0,26%, diz o economista.
‘‘Os aumentos de preços em janeiro normalmente são pesados, por causa dos reajustes das matrículas escolares e dos hortifrutigranjeiros’’, diz Heron. Neste ano não foi diferente, mas essas altas acabaram sendo contrabalançadas pela queda dos preços do vestuário, dos transportes e a estabilidade na habitação.
Na terceira quadrissemana, as maiores altas foram registradas no grupo educação, que subiu 3,36% no período, puxada especialmente pelo reajuste da matrícula e mensalidade escolar (4,75%). Em seguida, o maior aumento ocorreu nos preços dos alimentos, que subiram 0,99%.
Os preços das despesas pessoais continuaram caindo, mas ainda fecharam a terceira quadrissemana acumulando variação positiva de 0,23%. Já no caso do grupo de produtos e serviços relacionados com a saúde, a variação voltou a ser positiva e encerrou a terceira quadrissemana em 0,26% por causa dos remédios que tiveram alta de 0,90%.
As liquidações de artigos de vestuário, que provocaram retração de 1,36% nos preços do setor, compensaram parte da alta das despesas com educação. O grupo transportes teve um ligeiro recuo de 0,20% na terceira quadrissemana, o que mostra que os aumentos dos combustíveis já foram totalmente absorvidos.
Habitação Pela primeira vez desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994, os preços da habitação na terceira quadrissemana de janeiro ficaram estáveis no IPC da Fipe. A perspectiva é que esse grupo feche janeiro com variação negativa, segundo o economista Heron do Carmo. Ele destaca que a estabilidade dos preços da habitação no período foi garantida em parte porque as tarifas dos serviços públicos (água, luz etc) se mantiveram e os reajustes já foram absorvidos. As despesas operacionais, que envolvem condomínio, por exemplo, recuaram 0,20% na terceira quadrissemana deste mês. A razão é que em janeiro gastos com condomínio normalmente são menores do que os de dezembro, quando há despesa extra por conta do pagamento do 13º dos funcionários.
O aluguel continuou recuando e variou na terceira quadrissemana 0,07%, o mais baixo índice já registrado desde a implantação do Plano Real. Esse item acumula variação 585,93%, entre julho de 1994 e dezembro de 1997, ante uma inflação de 68,08%.

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