Fipe aponta deflação antes do previsto
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terça-feira, 20 de outubro de 1998
Agência Folha 
A deflação anual (variação percentual da taxa acumulada em 12 meses) vai chegar mais cedo. A Fipe, que esperava taxa de inflação para outubro, está refazendo suas previsões e agora prevê estabilidade nos preços neste mês. Com isso, a taxa acumulada dos últimos 12 meses até outubro pode mostrar deflação de 0,15%, diz Heron do Carmo, coordenador do Indice de Preços ao Consumidor da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
Essa deflação ainda é efeito do primeiro ajuste fiscal feito pelo governo há um ano, após a crise financeira asiática. A elevação dos juros provocou recessão, derrubando os preços. As novas medidas de ajuste que estão para ser tomadas pelo governo devem acelerar ainda mais a recessão e aumentar a deflação, prevê o economista.
Heron do Carmo disse que pelo menos até junho do próximo ano o IPC vai registrar deflação na taxa anual. Essa situação de recessão e de deflação é ruim, diz o economista da Fipe. Mas o quadro econômico ainda é melhor do que o do período de inflação elevada com recessão. A situação econômica atual é mais transparente e é possível, inclusive, se ver melhor as contas do governo, diz ele.
O mês de outubro, em geral, é um período de pressão inflacionária, devido à entressafra da carne e ao aumento de preços no setor de vestuário. Neste ano, no entanto, esses dois setores estão com pressões menores, o que deve segurar a taxa de inflação próxima a zero.
Os preços do vestuário ainda mantêm queda neste mês. A pesquisa da Fipe mostra redução acumulada de 2,43% no setor nos últimos 30 dias até 15 de outubro. Roupas de criança (3,71%) e de homem (2,5%) lideram as quedas no período.
Já os alimentos interromperam a queda de preços que vinham registrando nas últimas semanas. Houve estabilidade no setor nesta segunda quadrissemana do mês. A carne foi um dos itens responsáveis pela interrupção da queda dos preços médios dos alimentos. Os cereais, como normalmente ocorre neste período do ano, também estão em alta.
Entre os diversos setores pesquisados pela Fipe, apenas os de saúde e educação tiveram aumentos. Em saúde, a pressão veio dos remédios (0,76%). Já em educação, a alta foi de material escolar (1,58%). O economista da Fipe disse que a queda no setor de transportes ainda surpreende. Ele atribui essa redução à guerra de preços entre as empresas.
A gasolina e o álcool, em queda há várias semanas, voltaram a registrar as maiores contribuições para a manutenção da deflação. Esses dois produtos somaram 0,1 ponto percentual da taxa de deflação da segunda quadrissemana deste mês.
Outro setor que mantém queda contínua é o de habitação. Os custos nesse setor recuaram 0,06% para os paulistanos, segundo a última pesquisa da Fipe. A queda nos preços dos aluguéis (menos 0,38% no período) é um dos principais componentes da redução média dos preços no setor de habitação.


