Fipe aponta aumento menor nos preços
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Agência Folha 
A inflação continua perdendo fôlego em São Paulo. Na segunda quadrissemana deste mês, ou seja, nos últimos 30 dias terminados em 15 de março, a evolução média dos preços foi de 0,96%. Nos 30 dias até 7 de março, a alta tinha sido de 1,24%. Os dados são da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que, depois dos últimos resultados da pesquisa, está refazendo suas estimativas de inflação para este mês.
Há duas semanas, a instituição previa taxa de 1,50% em março. Agora, a estimativa é que fique próxima de 0,80%, segundo Heron do Carmo, coordenador do IPC (Indice de Preços ao Consumidor) da Fipe. A queda da taxa de inflação se deve a vários fatores, segundo o economista. Um deles, no entanto, é fundamental: a perda de renda devido à recessão.
O recuo do dólar, a renovação das linhas de crédito dos bancos estrangeiros e o avanço na aprovação das medidas fiscais também estão cooperando para essa queda da taxa, diz ele.
A expectativa de que as coisas vão melhorar é fundamental para o recuo da inflação, diz Heron do Carmo. O tempo, agora, joga a favor e estou até um pouco mais tranquilo, acrescenta o economista.
Na terceira quadrissemana de março, ocorreu uma reversão nos preços dos alimentos. Os preços dispararam logo após a desvalorização do real. Em fevereiro, a Fipe registrou reajuste médio de 3,07% nos alimentos, mas na segunda quadrissemana os aumentos médios no setor já se limitaram a 2,09%.
A Fipe continua registrando aumento nos produtos industrializados, principalmente nos artigos de higiene e de limpeza, mas a pressão desses itens é inferior à perda de fôlego nos aumentos dos alimentos básicos. A queda da taxa de inflação da Fipe se deve, ainda, aos efeitos sazonais que afetam o índice neste período do ano.
Os economistas da Fipe esperavam que eles fossem menos acentuados em 1999, devido à desvalorização do real. Entre esses efeitos, Heron do Carmo cita o setor de vestuário, que mantém forte liquidação. O recuo médio dos preços no período foi de 2,47% no setor, mostrando que as vendas continuam fracas. No setor de alimentação, o principal efeito sazonal é a queda de 1,44% nos preços dos produtos in natura .
Os setores de transportes e de educação também estão ajudando a aliviar a taxa de inflação na cidade de São Paulo. A pressão do reajuste das tarifas que ônibus, que ocorreu em janeiro, acabou, e o aumento da gasolina ainda é pequeno (3,38%).
Já no setor de educação, Heron do Carmo diz que muitas escolas privadas estão sendo forçadas a dar descontos nas mensalidades para segurar os alunos. As mensalidades ficaram 0,8% mais baratas na segunda quadrissemana de março. Já no setor de saúde, os preços começam a subir mais. O aumento de 1,82% nos alimentos elevou os reajustes médios no setor em 0,29%. Os remédios vão continuar subindo por várias semanas, segundo Heron.
Apesar da queda da taxa em março, a Fipe mantém a previsão de alta de 2% em abril. Será um período de reajustes de vários itens, avalia o economista da Fipe. O setor de vestuário virá com novos preços, devido à nova estação, enquanto no setor de alimentos devem ocorrer aumentos de leite e tomate, itens de grande peso no índice. A Fipe não alterou a previsão de inflação para este ano, que deve ficar entre 10% e 12%.


