Fipe aponta 1ª deflação anual da história
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sexta-feira, 08 de janeiro de 1999
Agência Estado 
Pela primeira vez desde 1939, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) apurou queda no custo de vida do paulistano de janeiro a dezembro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) encerrou 1998 com um recuo de 1,79%. É a primeira deflação anual da história, diz o presidente da Fipe, Juarez Rizzieri.
Segundo ele, não há motivos para comemorações porque a queda nos preços foi puxada, especialmente no segundo semestre de 1998, que acumulou deflação de 2,94%, pelo desaquecimento no ritmo de atividade da economia. Houve queda na demanda, aumento do desemprego, crise externa e pacote econômico.
É uma comemoração amarga de queda de preços, resume Rizzieri, destacando que só deveria estar aplaudindo esse recuo quem continua empregado e comprando. Ele acrescenta que a deflação seria avaliada positivamente se tivesse sido provocada por aumento de produtividade.
O presidente da Fipe pondera, no entanto, que outros fatores, como a concorrência, abertura da economia e a privatização também ajudaram a derrubar os preços, porém numa intensidade menor do que a queda na demanda. Isso preocupa, enfatiza Rizzieri, porque na sua análise, a queda na demanda que provoca retração nos preços e desemprego é uma mecanismo que se auto-alimenta.
A retração dos preços foi quase que generalizada no ano passado. Dos sete grupos pesquisados, cinco tiveram desempenho negativo em 1998 e apenas dois, saúde e educação, registraram alta de 2,46% e 4,97%, respectivamente. Rizzieri destaca que no caso da saúde, o aumento decorreu da falta de concorrência nos serviços e produtos comercializados. Já o aumento na educação ainda reflete a inflação de 1997.
Dentre os grupos pesquisados, a maior queda em 1998 ocorreu nos preços dos artigos de vestuário, que recuaram 9,30%. Em seguida vem despesas pessoais (-4,20%), transportes (-1,75%), habitação (1,20%) e alimentação (-0,57%). Rizzieri destaca também o recuo nos preços dos bens duráveis por conta concorrência, como eletroeletrônicos que baixaram 4,75%, aparelhos de imagem e som (- 11,65%) e veículos usados (-6,29%). A linha telefônica isoladamente foi o item que teve maior retração, de 23,57%, no ano passado e refletiu, segundo Rizzieri, a privatização do sistema Telebrás. Os aluguéis também tiveram queda expressiva de 3,26%, o preço das bebidas baixou 7% e os alimentos industrializados caíram 3,90%.
Em dezembro, o IPC da Fipe ficou em -0,12%, ante uma deflação de 0,32% registrada na terceira quadrissemana do mês.
Cenários O custo de vida em 1999 deverá registrar inflação em torno de 1% se o governo conseguir fazer o ajuste fiscal adequado e reduzir os juros. Caso o ajuste não se realize, a perspectiva é que se repita o quadro de deflação do ano passado. Esse são os dois cenários traçados por Juarez Rizzieri, para o IPC neste ano. Tudo dependerá do ajuste, enfatiza. Na sua análise, 1% de alta de preços em um ano é sinônimo de estabilidade e não de inflação. O quadro mais desejável, argumenta, é de alta de cerca de 1% nos preços, estimulada pelo aumento no consumo, do emprego e redução dos juros. É melhor ter emprego do que queda de preços, resume. Mas se o ajuste fiscal não for realizado, ele prevê um aprofundamento da recessão com desemprego maior, consumo e preços em queda e juros em alta.


