Toda ajuda é bem-vinda. Frase que cai como uma luva aos suinocultores paranaenses, que passam por um momento crítico na atividade devido aos altos custos de produção – principalmente o milho para ração - associado aos preços de comercialização da carne nada interessantes. Em busca de atenuar tal cenário, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), encaminhou ofício ao Ministério da Fazenda solicitando a retomada da linha de crédito emergencial para a retenção de matrizes suínas.
O documento prevê um limite de R$ 2 milhões por beneficiário produtor e prazo de pagamento de até três anos, incluídos 24 meses de carência. O recurso evitaria o abate de matrizes fora da normalidade, o que pode acarretar perda de produção num futuro próximo e, consequentemente, disparada dos preços. A previsão das entidades é que a concessão da linha de crédito esteja disponível até o final do ano agrícola 2016/17, mas ainda não obtiveram nenhum tipo de resposta à proposta.
"Amanhã (hoje), entregamos oficialmente o ofício ao secretário de política agrícola do Mapa, André Nassar. Nosso trabalho foi baseado no que ocorreu no setor em 2012, em que a liberação dos recursos demorou a sair e 100 mil matrizes acabaram eliminadas, além da saída de mil produtores da atividade em todo o País. Hoje, temos cerca de 320 mil matrizes pertencentes a suinocultores independentes com dificuldade", salienta a gerente de relações institucionais da ABCS, Ana Paula Cenci Vidal.

Capital de giro
O presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir José Dariva, comenta que já esteve em Brasília numa audiência para discutir o assunto no final do mês passado e que a ABCS até "demorou um pouquinho para buscar tal medida". "Agora, com a CNA junto neste trabalho, talvez a liberação de recurso aconteça mais rapidamente. Sem capital de giro neste momento difícil, o suinocultor acaba vendendo suas matrizes para tratar do restante do plantel. Isso é o que geralmente ocorre quando a situação não é boa para os produtores".
Segundo o representante da entidade, o descarte natural de fêmeas no Estado gira em torno de 40% ao ano, mas para aquelas que já não estão num patamar interessante de qualidade. Entretanto, em cenários de crise, o suinocultor acaba se desfazendo de matrizes com boa genética e alto potencial produtivo. "Em épocas problemáticas chegamos a desfazer de 60% a 70% das matrizes. Já temos muitos produtores entrando em contato com a APS atrás deste recurso e esperamos que ele saia logo. Com o dinheiro em caixa, o produtor compra o milho, os demais insumos, e faz o negócio girar normalmente. Sem ele, daqui a dois anos teremos uma produção menor e o preço vai disparar", antecipa Dariva. "Me lembro que em 2012 o valor liberado por matriz foi entre R$ 400 e R$ 500".
Por fim, o presidente da APS acredita que as instituições precisam se atentar para que o pequeno suinocultor permaneça na atividade. "Os grandes produtores conseguem outras fontes de renda nestes momentos mais problemáticos. Já os pequenos precisam desse respaldo. E o nosso pessoal honra os compromissos", finaliza.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná (Seab) a produção de 2015 deve ter fechado com 7,68 milhões de cabeças abatidas no Estado. Os números ainda não estão fechados.

mockup