O Banco do Brasil começa a liberar, no início de julho, os financiamentos para o custeio da safra de verão 1997/98, segundo informou ontem o superintendente da Unidade Estratégica de Negócios Rurais e Agroindustriais do Banco do Brasil (BB), Biramar Nunes. Ele acredita que a redução dos juros de 12% para 9,5% vai incentivar a procura pelos empréstimos, o que certamente fará com que a demanda seja muito maior que a oferta. ‘‘Com juros de 9,5% é até possível que alguém que estava financiando sua safra com recursos próprios retorne ao crédito rural oficial’’, avaliou.
Biramar Nunes lembrou que os votos referentes ao plano de safra devem ser aprovados sem dificuldades pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), no final do mês, porque as alterações são poucas e já ‘‘está tudo acertado’’. Apesar de o BB começar a operar o crédito rural para a safra 1997/98 no início de julho, o superintendente prevê que a maior procura pelos recursos será nos meses de setembro e outubro, como ocorre tradicionalmente.
O volume de dinheiro a ser liberado, segundo ele, dependerá da capacidade do Tesouro de equalizar os recursos, isto é, cobrir a diferença entre os custos de captação no mercado e os das taxas dos empréstimos com juros subsidiados de 9,5% ao ano.
Securitização Nunes disse que o Banco do Brasil seguiu as normas da legislação em vigor para calcular os débitos das dívidas rurais que foram securitizadas e acredita que não há mais nada a rever nos contratos renegociados. Ele afirmou que os produtores rurais estão pagando bem a primeira parcela da securitização que, apesar de vencer apenas em outubro, pode ser antecipada em produto.
Na avaliação de Nunes, as pressões para o recálculo das dívidas estão sendo feitas por ‘‘meia dúzia de produtores que não quiseram acertar seus débitos com os bancos’’. O recálculo das dívidas foi uma garantia dada pelo governo às entidades representativas do setor para que os produtores fizessem a securitização. A bancada ruralista e os produtores pressionam o governo para cumprir o acordo do recálculo, pois mais de 3 mil processos foram enviados à comissão de avaliação da securitização.
No Paraná aumenta a expectativa em torno dos financiamentos. Quem fez a venda antecipada de soja (soja verde) acabou perdendo muito dinheiro (o mercado pagou bem mais para quem guardou o produto), concluindo que é preferível ‘‘entrar no financiamento bancário’’ ao invés de se autofinanciar com a venda antecipada, nen sempre uma boa estratégia de mercado. A agricultura, contudo, deve continuar pressionando por juros menores. As taxas do Brasil, para custeio, ainda são altas.

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