Financiamento sem burocracia é um atrativo do sistema
O crescimento do número de participantes em consórcios nos últimos anos deve ser creditado mais à procura de alternativas de financiamentos para aquisição de um bem de maior valor. Para o economista Adilson Volpi, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o sistema de consórcio é fácil para entrar, porque exige-se apenas o pagamento das prestações, e não tem as mesmas exigências de um financiamento bancário, onde o interessado tem que comprovar renda e apresentar avalistas.
Mas é aí que muitos consorciados acabam se complicando e ficam inadimplentes, disse Volpi. Isso porque eles utilizam o sistema para obter um financiamento rápido, quando na verdade o sistema de consórcios deveria ser encarado como uma poupança forçada, em que a pessoa se obriga a guardar o dinheiro para adquirir o bem que deseja no futuro. ''Como alternativa de poupança, é de se imaginar que o período é longo e que para isso o interessado deve ter uma renda reservada para suportar as amortizações'', destacou.
Como economista, Volpi lembrou que a pessoa que se interessa por um consórcio fosse disciplinada o bastante para poupar todo o mês aquela quantia, ainda poderia ter como adicional o juro da poupança. Mas como a maioria das pessoas não tem essa disciplina o que acontece é que as pessoas adquirem cotas de consórcios e para isso pagam taxas de administração que variam de 5% a 15% sobre o valor do bem. ''Com a agravante que não há a remuneração da lucratividade dessa poupança, já que o consorciado está elegendo uma instituição para administrar o seu dinheiro'', explicou o economista.
No caso dos consórcios imobiliários que apresentou um crescimento de 30% nos últimos três anos, Volpi lembrou que esse aumento vem ocorrendo também em função da redução das linhas de financiamento de créditos imobiliários. Há muito tempo que os bancos e mesmo a Caixa Econômica Federal reduziram as linhas de crédito para o setor imobiliário. ''Quando se aperta de um lado, é normal o consumidor recorrer a outros que no caso é o consórcio'', disse o economista.





