Quem já está pensando em aproveitar o 13º salário para entrar em um novo financiamento deve estar consciente de que neste fim de ano o mercado de crédito vai estar mais restritivo do que no Natal do ano passado.

Em razão do aumento da inadimplência registrado ao longo do ano, as redes varejistas, que em muitos casos trabalham em parceria com financeiras, reduziram os prazos máximos das compras parceladas assim como o percentual da renda mensal que o consumidor pode comprometer com as prestações.

Segundo Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), em março, o financiamento de computadores, móveis e eletroeletrônicos podia ser feito em até 48 meses. Hoje, no máximo, são 36 parcelas. ''O número médio de pagamentos, que era de 14 no primeiro trimestre do ano, agora está em nove'', diz.

Ainda de acordo com o vice-presidente da Anefac, o comprometimento médio da renda do consumidor com as prestações foi reduzido de 30% para 20%. ''Algumas empresas chegavam a autorizar crédito equivalente a 100% dos ganhos do consumidor. Hoje, essas mesmas empresas reduziram esse percentual para 60%'', diz Oliveira.

No Carrefour, não houve alteração nos prazos para financiamento, mas o diretor do cartão de crédito da rede, Eric Cohen, confirma que essa é uma tendência no mercado. ''O prazo mais longo de financiamento que oferecemos é de 24 meses, mas ele não tem sido estimulado. Temos incentivado planos de até 15 vezes'', diz.

O estímulo a que Cohen se refere diz respeito à taxa de juros, mais alta nos financiamentos em até 24 pagamentos. Ela é de 5,40% ao mês, enquanto nos demais prazos cai para 4,80% ao mês.

Nas redes de varejo que trabalham com a financeira Losango, os prazos do crediário, que chegavam a 24 meses no ano passado, agora não passam de 12 meses. Já com relação ao comprometimento da renda, a empresa decidiu seguir caminho oposto ao do mercado. ''Resolvemos ampliar em cinco pontos percentuais o limite de crédito dos clientes com histórico de bom pagador'', diz Leandro Vilain, diretor de novos negócios da Losango.

Leonardo Benvenuto, diretor da financeira Exprinter, também afirma que o mercado de crédito está mais restritivo neste ano. Em julho, o prazo máximo para financiamento na Exprinter foi reduzido de 24 para 15 meses. E o percentual da renda que pode ser comprometido com compras a prazo caiu de 25% para 20%. ''Foi o meio que encontramos para brecar a inadimplência'', diz.

Dessa forma, segundo Benvenuto, a Exprinter conseguiu reduzir o índice de inadimplência nos carnês de 11,5% para 10,8%. Ainda assim, porém, ele continua maior do que no ano passado, quando ficou em 9,50%. Ele afirma que as compras com pagamento por meio de cheque pré-datado também estão com índice de inadimplência mais elevado neste ano: atingiram 7,8%, contra 6,5% em 2000.
Segundo estudo da Anefac, entre dezembro do ano passado e o último mês de agosto, a inadimplência das operações de crédito passou de 2,9% para 4,1%, considerando os pagamentos com atraso superior a 90 dias.

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®MDNM¯Empréstimo pessoal
aumentou em 2001


Apesar do aumento da inadimplência e da restrição que vem ocorrendo na concessão de crédito, o empréstimo concedido às pessoas físicas registrou crescimento de 34,81% no ano, até setembro, em relação ao volume total de 2000. Ele passou de R$ 51,3 bilhões para R$ 69,2 bilhões.

Segundo Oliveira, isso se explica porque efetivamente houve crescimento nas vendas e, como também houve retração na renda, as pessoas estão tendo de pegar mais dinheiro emprestado para pagar suas contas.

Segundo estudo da Anefac, o crédito oferecido ao consumidor por meio do cheque especial apresentou crescimento de 36,8% até setembro. Os empréstimos via crédito pessoal cresceram ainda mais no período: 39%. No cartão de crédito, o aumento foi de 24,59%.

Do total de vendas realizadas pelo comércio, a esmagadora maioria é feita por meio de financiamento. Segundo Odacir Packer, supervisor da Lojas Cem, elas representam cerca de 85% das vendas da rede. A Casas Bahia afirma que chega a 90% o total das suas vendas que são realizadas por meio do crediário. (S.M.).

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