ArquivoRecursos externos não reativaram mercado de equipamentos agrícolasA linha de crédito do Banco do Brasil que financia a compra de tratores e implementos agrícolas usados de qualquer marca, aberta há três meses, não atraiu o interesse dos produtores paranaenses. O BB colocou à disposição dos agricultores R$ 5 milhões, captados no mercado internacional através da resolução ‘63 caipira’, e até agora não conseguiu fechar um contrato. Em função da restrição de mercado, o BB poderá alterar as regras dessa linha de crédito.
Ocorre que as condições do financiamento impostas pelo BB, incluindo a variação cambial mais juros de 16% ao ano tornam esta linha de crédito mais cara do que o financiamento de máquinas novas, que tem a preferência do produtor, avaliou o engenheiro agrônomo Marcos Zanotto, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. O produtor fica temeroso ao comprar uma máquina que não é nova, porque não sabe qual o estado do bem que está adquirindo e muitas vezes tem que gastar mais na troca de um motor, da rede elétrica ou da tração, explicou o técnico.
Além disso, Zanotto lembra que o parque de máquinas no país está tão sucateado que sobram poucas unidades em condições de serem trocadas. Na verdade a maior parte das máquinas deve ser descartada e não negociada, acrescentou o técnico.
A linha de crédito foi viabilizada através de convênio entre o BB e as fábricas de tratores New Holland e SLC, que colocaram suas redes de concessionárias à disposição para fechamento dos contratos. O valor mínimo da operação é de US$ 10 mil com prazo de pagamento de três anos em parcelas semestrais ou anuais. Este financiamento cobre até 80% do valor da máquina.
Produtor quer Finame Segundo Marcos Zanotto, os produtores que estão adquirindo tratores estão preferindo a linha de crédito aberta pelo BRDE/Finame, que financia a compra de máquinas novas com juros fixos de 16% ao ano e prazo de cinco anos para pagar. Esse financiamento tem sido responsável pela venda da indústria, nestes primeiros quatro meses do ano, que cresceu até 50% em relação às vendas feitas no ano passado.
Para Zanotto, o produtor está rejeitando qualquer tipo de financiamento que ele não sabe qual vai ser a prestação daqui para frente. Ele está escaldado com os financiamentos indexados em TR, em 1994 e 1995, que elevaram as prestações acima da capacidade de pagamento. Portanto, atualmente só estão atraindo o interesse dos produtores os financiamentos com parcelas fixas de pagamento, onde ele sabe exatamente quanto vai pagar na frente, concluiu o técnico.

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