‘Financial Times’ elogia Brasil
Agência Estado
De Londres
O jornal britânico Financial Times publicou ontem extensa reportagem ressaltando a recuperação da economia brasileira, apenas 18 meses após a desvalorização do real. Mas alerta que as reformas fiscais e previdenciárias têm de ser feitas e concluídas para que esse momento positivo seja preservado. Segundo o FT, poucas pessoam se recordam, mas no inicio da década de 70, muito antes dos ‘‘tigres asiáticos’’ (países asiáticos) ou da ‘‘nova economia’’ (empresas de tecnologia), o Brasil era considerado um dos ‘‘milagres’’ do mundo. Os crescimentos anuais de 10%, aliados à capacidade do País em manter um grande otimismo, fizeram do Brasil algo parecido a um modelo do mundo em desenvolvimento, apesar da permanência das grandes desigualdades sociais e econômicas.
Os anos de intervencionismo, segundo o FT, não foram benéficos, pois trouxeram inflação alta e moratórias, planos econômicos fracassados e desvalorizações compulsórias. Essa instabilidade insuflou politicos, segundo o diário britânico. ‘‘Mesmo assim, pouco mais de um ano depois de sofrer uma aguda crise cambial, o Brasil está prestes a produzir um novo ciclo de crescimento econômico. Além disso, a nova expansão está ocorrendo numa economia quase irreconhecível, se comparada àquela de três décadas atrás, marcada por forte presença estatal.’’
As barreiras comerciais foram eliminadas, boa parte do setor público, vendido, e os subsídios para a área privada, retirados. Segundo o FT, o Brasil desafiou ameaças políticas e econômicas desde a desvalorização de janeiro de 1999, que segundo muitos analistas poderia causar um desastre.
Enquanto isso, a inflação alta não retornou como ameaçava. O sistema bancário não sucumbiu e os consumidores se recusaram a aceitar preços mais altos. Agora a economia parece estar retornando a um crescimento sustentável. A produção industrial está crescendo, a safra foi excepcional e a inflação permanece baixa.
Segundo o FT, o ponto chave da recuperação tem sido a disciplina fiscal do governo. A arrecadação de impostos está crescendo e, pela primeira vez em muitas décadas, o Brasil cumpriu as metas orçamentárias acertadas com o FMI. No mês passado, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe novas limitações aos gastos públicos. ‘‘Esta era a mudança no regime fiscal que estávamos esperando’’, disse ao FT o presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
A disciplina fiscal abriu caminho para a queda da taxa dos juros. Embora os juros de curto prazo de 12% são elevados para os parâmetros interncionais, eles são bem inferiores aos que o Brasil manteve na maior parte da ultima década. Se as condições interncionais permitirem, eles deverão cair ainda mais.

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