Basta uma volta por ruas centrais ou largas avenidas de Londrina para se constatar como ‘pipocaram’ nos últimos tempos faixas e cartazes com oferta de dinheiro e o número de um telefone – celular ou fixo – para contato. Os números, geralmente, são de ‘‘promotores’’ contratados por financeiras, uma nova alternativa no mercado para conceder crédito pessoal no valor de R$ 100 a R$ 15 mil.
Os juros variam bastante, girando entre 6% e 9,5% ao mês, quando o empréstimo é efetuado por financeiras. O atrativo é a facilidade com que pode ser concretizado, sendo dispensável a figura do avalista. O interessado precisa apresentar documentação pessoal, comprovação de renda e deixar cheques preenchidos nos valores das parcelas a serem pagas.
‘‘Nós checamos todas as informações, até mesmo se o RG não é falso e fazemos uma pesquisa no Serasa (serviço de consulta de cheque). Só depois liberamos o crédito’’, explica a promotora D.F. – ela prefere não se identificar e também faz mistério com relação à instituição que trabalha. ‘‘É uma norma adotada por mim. Só digo quem está emprestando o dinheiro após aprovado o cadastro’’.
A ‘‘promotora’’ afirma que não se empresta dinheiro para quem não comprova renda. ‘‘Antes emprestávamos para autônomos, mas a inadimplência era alta. Agora emprestamos para pessoas empregadas e para aposentados’’, informa D.F.. No caso de assalariado, a taxa de juro cobrada é de 9,45% ao mês. Para aposentados, a taxa é menor, 8%.
Há um ano e meio trabalhando no setor, ela afirma que é possível captar, durante a conversa, se o pretendente ao crédito pensa em dar um calote na financeira. Segundo ela, a maioria das pessoas que empresta dinheiro é para pagar contas mensais ou emprestar para alguém da família que não tem condições de se comprometer com empréstimos.
Nas páginas de classificados dos jornais também é possível encontrar várias ofertas. Uma das categorias mais assediadas é a dos funcionários públicos. Para eles, o crédito é ainda mais fácil e as taxas de juros, mais baixas: ficam em torno de 4% ao mês. Os créditos, no caso, são oferecidos por instituições bancárias que mantêm convênio com a prefeitura. O valor das parcelas é descontado diretamente na folha de pagamento – o que explica a ‘‘facilidade’’ do processo: não há risco de falta de pagamento.
Matheus Zambom Abrão, proprietário da Credipar, empresa prestadora de serviço para o Paraná Banco, diz que trabalha exclusivamente com serviços municipais. O risco de inadimplência é zero, uma vez que o crédito só é liberado após aval da prefeitura e o pagamento é direto na folha. ‘‘A procura por empréstimos é sempre grande no início e fim de mês’’, comenta, informando que é normal o servidor terminar de pagar um contrato e já dar início a outro. (B.B.)

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