France PresseFalênciaDiretores da Yamaichi Securities fazem reverência no anúncio da liquidação: má administraçãoA quarta maior instituição financeira do Japão (Yamaichi Securities) oficializou ontem a sua falência, o que enviou novos sinais de choque mundo afora. Caíram todas as principais bolsas de valores, mas o impacto maior, como é natural, foi sentido na Ásia, epicentro de uma crise que não pára de se agravar.
A bolsa coreana retrocedeu 7,17%, completando uma queda de cerca de 30% este ano. Com isso, atingiu o seu ponto mais baixo dos últimos 10 anos. É um claro sinal de que a penosa decisão de recorrer ao FMI (Fundo Monetário Internacional), tomada na sexta-feira, está sendo insuficiente para conter a crise.
Na Bolsa de Valores de São Paulo, a queda foi de 3,7%. No Rio de Janeiro, queda de 2,9%. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones de 30 ações industriais fechou com queda de 1,44%. No mercado da Argentina, o índice Merval fechou com desvalorização de 4,27%.
Na Europa, as três principais bolsas caíram bem menos, mas caíram: 3,26% na Alemanha, 1,49% na Grã-Bretanha e 2,1% na França. Só no próprio Japão, não houve consequência sobre a bolsa, porque era feriado. A queda das bolsas reflete, acima de tudo, a inquietação com a propagação da crise, dado que a quebra da Yamaichi Securities em si era dada como certa desde, pelo menos, a sexta-feira passada.
Nem por isso deixa de causar impacto a falência de uma empresa de 100 anos, a menor e mais antiga da liga das quatro grandes instituições financeiras do Japão. Afinal, foi o maior colapso de uma companhia desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939/1945).
A Yamaichi afundou sob o peso de uma dívida confessada equivalente a US$ 1,6 bilhão e um passivo de US$ 24 bilhões. Mas o temor é o de que as dívidas ocultas por manobras contábeis ilegais sejam bem maiores (cerca de US$ 8 bilhões).
Desde o início do mês, as ações da Yamaichi vinham retrocedendo, refletindo a crescente desconfiança do mercado sobre a sua saúde financeira. Valiam menos de 100 ienes, depois de terem começado o ano cotadas a 500 ienes. A Yamaichi tem 7.500 funcionários no Japão e atua em 33 países.
A falência da empresa vem na esteira de uma sequência de desastres semelhantes, embora as companhias antes afetadas fossem menores. Só este ano foram tragadas pela crise a seguradora Nissan Mutual Life (abril), a corretora Ogawa Securities (maio), o Kyoto Kyoei Bank, banco regional (outubro), a corretora Sanyo Securities (dia 3 passado) e, finalmente, o Hokkaido Takushoku Bank, o 10º maior do país, faz exatamente uma semana.
A quebra da Yamaichi, a rigor, tem pouco a ver com o contágio da crise financeira global. Foi tipicamente um caso de administração incorreta (e, em muitas operações, fora da lei). Mas ao ocorrer em uma situação tremendamente volátil, funciona como jogar um pouco mais de gasolina no fogo.

mockup