São Paulo - Há vários motivos para deixar as finanças pessoais equilibradas. Ficar longe de dívidas é, sem dúvida, o mais lembrado. As mulheres, porém, têm duas razões a mais para administrar com louvor o dinheiro suado de cada dia.
A consultora financeira Elaine Toledo lembra que, além de ganharem menos do que os homens, elas têm um tempo de vida mais longo do que o deles. Viver mais requer planejamento financeiro. Não significa apenas fazer contas, controlando mês a mês o orçamento. É preciso também mudar o comportamento. As mulheres, geralmente, não resistem às liquidações e, conforme observa Elaine, se rendem com maior facilidade às grandes perdições femininas, como sapatos, bolsas, cosméticos e tratamentos estéticos. Os homens, geralmente, não se contêm diante de eletroeletrônicos, equipamentos automotivos e carros.
Compras por impulso e falta de controle das finanças pessoais criam o que Elaine chama de ''efeito Titanic'': ''aquele que nos afunda em dívidas e causa um verdadeiro naufrágio em nossas vidas''. Endividados não faltam, a ponto de empresas contratarem a consultora para dar palestras aos seus funcionários.
''Essa preocupação surgiu por causa do aumento de pedidos de empréstimos consignados, que é um crédito a juros menores, oferecido ao trabalhador e com parcelas debitadas no holerite'', explica Elaine Toledo, 48 anos. ''Mas esse recurso acabou se transformando em mais um meio de endividamento, agravando a situação financeira de muitos.'' O rendimento e a qualidade do trabalho caem muito quando um funcionário está afundado em dívidas. Daí vem o estresse, que acarreta outros problemas de saúde.
Segundo a consultora, boa parte dos empréstimos é usada para a compra de eletroeletrônicos, equipamentos de informática, eletrodomésticos e mobílias. Uma atitude inadmissível, pois, como alerta Elaine, nenhum tipo de crédito, muito menos consignado, deve ser destinado a esse tipo de gasto. Para ela, vários bens de consumo podem ser conquistados com planejamento e poupança todo mês. Nada, portando, de pagar juros para adquiri-los.
Baseada no conteúdo dos cursos que oferece nas empresas, a consultora financeira lançou recentemente o livro ''Saiba Mais para Gastar Menos - Trabalhando a sua Inteligência Emocional'' (Editora Alaúde). Ela sintetiza os principais problemas. ''Existem muitos erros que comprometem a saúde financeira. Um dos mais comuns é o mal uso do crédito. A facilidade com que se consegue empréstimos é outro problema: o banco e a empresa os oferecem. Há ainda o cartão de crédito: como se costuma dizer, com ele é possível comprar tudo aquilo de que não precisamos com o dinheiro que não temos. A classe média tem acesso ao crédito de tudo quanto é jeito e, quando não consegue mais, parte para o agiota.''

mockup