‘‘Para parcelar uma compra, ainda prefiro cheque porque é mais fácil de controlar o orçamento. Justamente por ser mais prático, o cartão te leva a sair gastando com risco de perder o controle do que já parcelou no mês. Em lojas que dão vantagem para cheque, não deixo de usá-lo’’, diz o engenheiro agrônomo e empresário Leonardo Bodnar. Apesar de ter cartões de crédito e débito, ele nunca deixou de andar com talão de cheques no bolso.
  Por causa de consumidores com esse perfil e de uma parcela do varejo – que utiliza esta forma de pagamento para fugir das taxas das operadoras de cartões ou por necessidade devido ao perfil da clientela –, o cheque sobrevive à avalanche do dinheiro de plástico. Entre 2000 e 2008, as operações com cartão de crédito/débito cresceram de 314 milhões para 2,021 bilhões, enquanto o número de cheques compensados despencou de 2,638 bilhões para 1,396 bilhão, segundo dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
  Conforme Walter Tadeu Pinto de Faria, assessor técnico da área de serviços bancários da Febraban, a inversão mostra que as pessoas estão deixando de utilizar cheque para pagar com cartão de débito ou crédito por causa da segurança. ‘‘O cartão você mesmo passa, digita a senha e pronto. O cheque você passa no comércio e não sabe onde ele vai parar, se vai cair nas mãos de falsificadores. O problema do cheque é a cadeia de transferência, onde perde-se o controle do seu destino’’, analisa.
  Apesar de grande parte dos brasileiros prefir o cartão e o comércio também priorizar o dinheiro de plástico, Faria não acredita no desaparecimento do cheque.


As operadoras de cartão cobram taxa de 3% a 4% sobre o valor
da compra



Segundo dados da Febraban, São Paulo é o maior emissor de cheques do Brasil, levando em conta o tamanho e a importância econômica do Estado

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