A ''novela da febre aftosa'' no Paraná parece estar chegando ao fim. Hoje, finalmente, deverá ter início o sacrifício sanitário dos rebanhos das fazendas Pedra Preta e Cesumar, em Maringá (Região Noroeste). A história da aftosa no Estado se arrasta desde o dia 21 de outubro, quando a Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) levantou a suspeita de foco. Apesar de nenhum bovino ter apresentado sintomas clínicos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou a aftosa em sete propriedades. Ao todo, mais de 6 mil animais serão sacrificados.
O governo do Estado afirma claramente que não concorda com os focos mas, mesmo assim, irá seguir as determinações do Mapa. Em Maringá, o abate terá início pela Fazenda Pedra Preta, por volta das 8 horas, onde 234 animais serão mortos pelo sistema de ''rifle sanitário''. Em seguida, 143 cabeças da Cesumar serão sacrificadas. Os animais serão enterrados em uma vala comum, na Cesumar. A necropsia será feita em seis animais: dois da Cesumar (que apresentaram reação positiva no exame EITB, que analisa as proteínas não estruturais do vírus) e quatro da Pedra Preta.
Nesta última propriedade, o número foi definido por amostragem, uma vez que 26 animais apresentaram reação ao EITB. As informações foram repassadas à imprensa pelo reitor da Cesumar, Wilson de Matos Silva que, ontem, concedeu entrevista coletiva à imprensa. Ontem o Mapa concedeu autorização para realização das necropsias no laboratório do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), localizado no Rio de Janeiro. Os exames são uma exigência dos pecuaristas para concordar com o sacrifício sem ações judiciais.
Inclusive, uma técnica do órgão, Rossana Alende, irá acompanhar a coleta e o transporte dos materiais. Além disso, devem participar técnicos do Laboratório Agropecuário do Estado e dois veterinários indicados pelos pecuaristas: Raimundo Tostes (da Cesumar) e Amauri Alfieri, professor da UEL. O sacrifício na Fazenda Flor do Café, em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina), está marcado para amanhã. Se não chover hoje na região. Se ocorrerem precipitações, o sacrifício será adiado.
Já na Fazenda Cachoeira, o abate deverá começar entre quinta e sexta-feira. A manta texturizada que cobrirá as duas valas - uma exigência do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para proteger o lençol freático - chegou ontem à propriedade. A estimativa é que a colocação da manta demore cerca de 48 horas. Já os sacrifícios nas fazendas Santa Izabel (Grandes Rios), Alto Alegre e São Paulo (Loanda) ainda não têm data prevista para ocorrer.
A vala na Santa Izabel já está pronta. No entanto, o maior atraso deve acontecer em Loanda, uma vez que o IAP também exigiu que mantas impermeabilizantes cobrissem as quatro valas que serão feitas nas duas propriedades. Esse procedimento será necessário porque o solo da região é arenoso. A previsão é que nestas duas propriedades o sacrifício não ocorra antes do final da próxima semana.

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