Carmem Murara
De Curitiba
Os donos de postos de combustíveis que adotaram o sistema de auto-atendimento voltaram atrás e a partir de hoje a maioria começa a trabalhar com os frentistas novamente. A decisão não foi de livre e espontânea vontade dos empresários do setor, mas impulsionada pela decisão do governo federal de proibir o self service nos postos. A sanção da lei será feita hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, às 15 horas, com a justificativa de que é uma medida para garantir a manutenção do emprego.
Desde que o Congresso começou a discutir a proibição do self service, os postos que tem o sistema adotaram uma postura contrária. Eles chegaram a entrar com uma ação na Justiça para garantir o direito de vender da maneira como queriam o combustível. O argumento foi de que o governo não poderia interferir na administração de uma empresa privada, como prevê a Constituição. Eles chegaram a ganhar uma liminar na Justiça que garantia o direito do self service.
Mas diante da decisão do governo federal, eles vão recuar. ‘‘A ação continua, mas estamos esquecendo, por enquanto, a liminar’’, afirmou ontem o dono do posto Capanema, Marcos Vinícius Scripes. Ele passou a tarde entrevistando alguns candidatos às vagas de frentistas que abriu. Antes de adotar o sistema self service, ele trabalhava com 10 frentistas, mas agora pretende contratar oito.
Scripes é um defensor do auto-atendimento em postos de combustíveis, mas reconhece que o sistema representa um problema para um País que têm altas taxas de desemprego. ‘‘Nós somos brasileiros e por isso temos que entender a medida do governo’’, afirmou. Em pouco mais de 1% dos 27 mil postos em todo o País, os clientes abasteciam o próprio carro, mas o número estava crescendo. ‘‘Em cinco anos, 95% dos postos seriam self service e isso ia representar muita gente sem trabalho’’, disse o empresário.
O Sindicato do Comércio Varejista de Combustível apóia a decisão do governo. ‘‘Nós teríamos 325 mil frentistas desempregados em pouco tempo, o que abriria um rombo ainda maior no desemprego’’, afirmou o presidente do sindicato Roberto Fregonese, que hoje estará em Brasília na solenidade com o presidente.
A maioria dos postos com auto-atendimento são das bandeiras Shell e Esso. Em Curitiba e municípios da Região Metropolitana há 15 postos que demitiram os frentistas e ensinaram os clientes a encher o tanque. O fim do auto-atendimento não representará aumento do combustível, garantem os revendedores. Eles dizem que a velha lei da oferta e procura os impede de subir os preços.