Fim do monopólio de resseguros anima setor
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Eli Araujo<br>Reportagem local 
As perspectivas do mercado de seguros no Brasil são as melhores possíveis, com crescimento médio anual de 15% na última década. A informação é do diretor superintendente da Bergus Seguros e Serviços Financeiros, Vladimir Martins Sípoli, que esteve ontem em Londrina com outros diretores da empresa para promover um seminário sobre resseguros. ''Poucos mercados na área financeira tem crescido tanto quanto os seguros'', disse.
O principal motivo para esta confiança é o fim do monopólio do mercado de resseguros no Brasil. Ele explica que ''o resseguro é o seguro do seguro e que 100% de qualquer tipo de seguro precisa ter, obrigatoriamente, a garantia de um ressegurador sob risco de sérios prejuizos para o cliente.''
O empresário diz que até o mês de julho do ano passado, somente o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) atuava neste segmento. O instituto é uma empresa de capital misto, com participação de 51% do governo federal e 49% da iniciativa privada. Com o fim do monópolio, outras cinco grandes empresas passaram a atuar no setor, ocupando uma fatia de 30% do mercado em pouco mais de um ano.
O superintendente técnico da seguradora, Charles de Barros Silva, disse que o fim do monopólio está contribuindo para mudar a forma de se fazer negócios neste setor. Segundo ele, as seguradoras dão preferência para as empresas preocupadas com a própria proteção, ou seja, que fazem a devida manutenção de seus equipamentos, usam práticas de controle e fazem investimentos na área de segurança. Por não cumprir estes requisitos, há cerca de 2 mil empresas de porte no Brasil que deixaram de ser atendidas pelas seguradoras.
O presidente da Cooperativa Agropecuária e Industrial de Mandaguari (Cocari), Vilmar Sebod, que participou do seminário, disse que o resseguro é uma garantia para qualquer empreendimento, em especial para o agronegócio. Segundo ele, todas as atividades da cooperativa, os investimentos e imóveis estão no seguro e que o resseguro é uma forma de evitar problemas. O dirigente lembrou que uma empresa fez seguros de uma safra de trigo na região, há alguns anos, mas veio uma geada forte que acabou com as lavouras e a seguradora não teve como cobrir os prejuizos por falta de uma resseguradora. Por este motivo, alguns produtores enfrentam problemas até hoje.
Efeitos do clima
O superintendente técnico Charles de Barros Silva disse também que a incidência dos problemas climáticos no Brasil podem causar aumentos de preços na contratação de novos seguros em algumas regiões ou até mesmo impedir a renovação de contratos em vigor. Segundo ele, as seguradoras já fazem fortes restrições em algumas áreas de Santa Catarina em função de alagamentos e que as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná podem enfrentar o mesmo problema ''pelo registro de sete ou oito temporais no período de um mês''.
Silva afirmou que não é possível estimar qual seria o percentual de um reajuste de preços porque os temporais são muito recentes no Paraná e que os números são usados apenas para análises internas das seguradoras. ''Se a seguradora identifica uma região onde a chance de ter prejuízo é muito grande, é fato que ela vai parar de operar naquela região ou aumentar os preços na proporção para que ela consiga ter receita, ter lucratividade com esta operação. O que precisamos deixar claro é que as empresas comerciais estão ai para ganhar dinheiro e ter lucro e com o seguro não é diferente'', justificou Silva.


