DivulgaçãoFôlego novoO diretor administrativo da Atlas, José Ricardo Mendes da Silva: ‘‘Queremos dobrar as nossas exportações em dois anos’’ A Beta-Sul Indústria e Comércio Ltda. é, na verdade, a Elevadores Atlas S/A. A empresa, localizada no Bairro de Interlagos, na zona sul de São Paulo, está transferindo toda a sua linha de produção de elevadores e escadas rolantes para a Cidade Industrial de Londrina. O anúncio oficial da instalação da Atlas foi feito ontem, ao mesmo tempo em São Paulo e Londrina, durante audiência de diretores da empresa com o governador Mário Covas e solenidade com o prefeito Antonio Belinati, respectivamente. O valor do investimento é de R$ 70 milhões.
Os 3,6 mil funcionários que trabalham na Atlas em todo o País foram avisados da transferência ontem pela manhã. A Folha foi convidada pela empresa para ir a São Paulo entrevistar, com exclusividade, o diretor administrativo-financeiro e de relações com o mercado, José Ricardo Mendes da Silva.
O mercado financeiro foi informado da decisão da Atlas às 10 horas da manhã de ontem, através de divulgação da decisão para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e todas as bolsas de valores do País. A empresa anuncia a transferência aos investidores brasileiros hoje de manhã. Os investidores estrangeiros também serão avisados hoje, através de conferência telefônica.
Paulo WolfgangEm obrasOperários trabalham na construção da unidade da Atlas em Londrina: fábrica deve ser inaugurada em setembro deste anoA transferência da indústria para Londrina tem por objetivo aumentar a competitividade da Atlas, que desde a abertura do mercado interno passou a concorrer com grandes multinacionais do setor. A tecnologia da Atlas é 100% nacional. ‘‘A fábrica atual foi construída no final da década de 60 e já estava ultrapassada’’, diz o consultor Ricardo Ramos, da MGDK & Associados, de São Paulo - empresa de consultoria e de gestão empresarial que encabeçou as negociações para a transferência da Atlas.
‘‘A unidade de Londrina será mais competitiva pela nova configuração industrial e dos processos. Tanto que terá apenas 32 mil metros de área construída’’, diz Ramos. A da avenida Interlagos tem mais de 100 mil metros quadrados. A mudança também deve-se ao fato de o custo operacional - água, energia, piso salarial, entre outros fatores - ser mais barato em Londrina do que em São Paulo.
Na unidade londrinense, com inauguração prevista para setembro deste ano, serão fabricados anualmente cerca de dois mil elevadores e 120 escadas rolantes. A produção em Londrina não deve alterar os preços dos equipamentos, segundo o diretor José Ricardo Mendes da Silva. Os elevadores da marca Atlas custam de R$ 25 mil a R$ 150 mil, dependendo das especificações. A empresa produz equipamentos com capacidade para transportar de 4 a 48 passageiros - com velocidades de 45 metros a 400 metros por minuto.
A capacidade da indústria em Londrina será 15% maior do que a unidade paulistana. A pré-operação está marcada para agosto. As primeiras máquinas devem começar a ser instaladas em Londrina ainda nesta semana. Uma parte da produção será voltada para os outros países do Mercosul, para onde a empresa já exporta desde 1987. ‘‘Queremos dobrar nossas exportações nos próximos dois anos’’, diz Silva. Atualmente, a exportação anual para a Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia somam US$ 10 milhões/ano.
Daqui a um ano, a fábrica da Atlas deve gerar mil empregos diretos e indiretos em Londrina. Até o final deste ano, serão contratados entre 400 e 600 funcionários. A efetivação dos primeiros 60 empregados será feita a partir da próxima segunda-feira. A Atlas fará treinamentos específicos num galpão de 500 metros quadrados, alugado em Londrina, onde serão instalados painéis eletrônicos de controle de tráfego de elevadores. O treinamento começará no próximo dia 22.
Por enquanto, Silva prefere não revelar o número exato de funcionários da empresa que serão transferidos para a unidade de Londrina. ‘‘Como os empregados só ficaram sabendo da mudança da empresa hoje (ontem), não sabemos quantos irão querer nos acompanhar’’, diz o diretor. ‘‘A tecnologia do processo terá que ser preservada. Mas a transferência do pessoal depende da conciliação dos interesses da empresa com os dos funcionários’’, explica ele, afirmando que em nenhum momento o governo do Estado e a prefeitura determinaram o número de mão-de-obra local que deveria ser utilizada no processo.
A sede administrativa da Atlas continuará funcionando, inicialmente, em São Paulo. Na semana passada, a empresa inaugurou uma fábrica para produção de peças para reposição no bairro do Cambuci, em São Paulo.

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