A extinção das vendas do leite tipo C, anunciada ontem pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura Ênio Marques, revoltou os pequenos produtores de leite. O presidente da Centralpar (Central de Laticínios do Paraná), Diethard Pauls ficou indignado com a posição assumida pelo governo federal. Medida foi tomada a pedido do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) de retirar o leite C do mercado, em função do excesso de contaminação do produto.
A assessoria de imprensa da delegacia do ministério da Agricultura, em Curitiba, disse que a intenção do ministério é cadastrar os produtores de leite tipo C, para exercer algum tipo de controle sobre a produção e com isso melhorar a qualidade do produto.
Essa medida faz parte do Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite, que está sendo implantado no país, que envolve a melhoria do plantel, das instalações e da coleta do leite. A proposta é que os produtores de leite tipo C tenham resfriadores na propriedade e higiene na ordenha.O resfriamento imediato do leite evita a proliferação das bactérias e não compromete a qualidade do produto.
Segundo Pauls, antes do governo falar em extinguir a venda de leite C, deveria dar condições para que os produtores possam produzir um leite de melhor qualidade. O setor leiteiro está passando por uma de suas piores crises, por culpa do governo que permitiu a importação indiscriminada de leite, e agora os produtores não podem fazer os investimentos na melhoria das instalações porque o produto perdeu a rentabilidade, explicou.
Para o presidente da Centralpar só a viabilização de linhas de crédito para compra dos equipamentos não resolve, diante do quadro econômico instalado. Segundo Pauls, a atividade leiteira precisa ser rentável novamente para que o produtor possa investir. Pauls disse que o pequeno produtor teme pegar financiamento, mesmo sendo do Proger e Pronaf, em função das altas taxas de juros.
Consequências O produtor está inseguro em relação às linhas de crédito existentes porque não sabe se poderá pagar os financiamentos, justificou.‘‘Se o governo decidir mesmo pelo fim da venda do leite tipo C, será o colapso da atividade no país’’, prevê.
A Centralpar recebe em média 200 mil litros de leite por dia de 1500 produtores distribuidos na região metropolitana de Curitiba, até a região Sul em União da Vitória. Cerca de 35% dessa captação é leite pasteurizado C e B e o restante é utilizado para a produção de leite longa vida e produtos derivados, como queijos, iogurtes e bebidas lácteas.

mockup