A decisão do governo britânico, de por fim ao embargo das importações de carne brasileira, poderá ter efeito ‘‘imediato’’ no saldo da balança comercial, além de contribuir para sustentar os preços da carne no mercado interno. A avaliação foi feita ontem pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira. ‘‘Além dos contêineres que estão retidos em portos europeus temos produção já contratada e que não chegou a ser exportada’’, disse Oliveira.
As autoridades brasileiras argumentaram com o governo britânico que era necessário que a Inglaterra cumprisse a decisão tomada pela União Européia, que suspendeu apenas a importação de carne proveniente do Rio Grande do Sul, onde foram identificados focos de febre aftosa.
Oliveira voltou a afirmar que o embargo que havia sido imposto pela Inglaterra era injustificado. ‘‘A decisão havia sido tomada sem base científica’’, disse. Segundo o secretário, o Reino Unido é um dos grandes importadores de carne industrializada e ‘‘in natura’’ do Brasil. No ano passado, foram exportados para o Reino Unido 67.146 toneladas de carne bovina, que somaram US$ 141 milhões.
Esse ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Industrializada (Abiec), já foram vendidos para lá 18.275 toneladas, num total de US$ 37 milhões.‘‘A decisão trará efeitos imediatos, já que agora exportadores brasileiros poderão cumprir contratos já assinados para envio de carne àquele país’’, salientou.
Em relação ao Rio Grande do Sul, o secretário informou que o Ministério da Agricultura ainda não tem nenhuma previsão sobre qual será a estratégia a ser utilizada pelo governo gaúcho para recuperar, junto ao Escritório Internacional de Epizootiase (OIE), o status de área livre de aftosa sem vacinação. ‘‘A estratégia está sendo estabelecida pelo governo do Rio Grande do Sul e não há como sabermos quando o Estado poderá recuperar seu status de área livre enquanto o governo gaúcho não definir esta estatégia’’, salientou.
Acrescentou, porém, que nos demais Estados há um esforço para o controle preventivo da doença. O governo também deve manter a fiscalização nas fronteiras do Brasil com Argentina, Uruguai Paraguai e nas divisas entre os Estados.

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