Fim de ano tem passagem aérea até 200% mais cara
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sábado, 21 de dezembro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Quem decidiu viajar de última hora e deixou para comprar passagens aéreas nos dias que antecedem o Natal corre o risco de gastar até três vezes mais do que quem fez a compra antecipada. Isso se ainda houver vagas para os voos. Agentes de companhias aéreas afirmam também que a diferença de preços entre pacotes para o período de maior procura no ano chega a tornar a compra inviável para boa parte da população.
O viajante que se antecipou e comprou em setembro uma passagem aérea, de Londrina à capital paulista, por exemplo, pagou R$ 218,32, segundo a Companhia de Viagens. O valor de ontem para o mesmo trecho era R$ 715,58, uma diferença de 227%, ou um custo 3,2 vezes maior. "Não existem promoções. Se a pessoa quiser viajar nessa época e de última hora, encontrar uma passagem já é uma vantagem", diz o diretor da agência londrinense, Daniel Feijolli.
Ele lembra que a hospedagem também encarece, porque cresce a demanda por quartos de hotéis e, muitas vezes, apenas as suítes mais caras ficam disponíveis. "O custo chega a aumentar de R$ 600 para R$ 1,6 mil", diz Feijolli.
Para a consultora de viagens Rachel Surjus, da Navega Tur Agência de Viagens e Turismo, é complicado explicar para o cliente o preço de pacotes de última hora. "Dá até vergonha de vender de tão caro que está. Sempre tentamos encontrar o melhor preço e adequar a viagem para o quanto a pessoa quer pagar, mas está complicado."
Feijolli ainda alerta que no fim do ano aumenta a quantidade de pessoas que caem em golpes, na busca por ofertas pela internet. "Acabam comprando porque estava muito barato, mas correm o risco de chegar ao destino sem que a reserva tenha sido feita ou que o hotel esteja com overbooking (reservas além da capacidade)", conta. Por isso, sugere que se use o serviço de agências de turismo. "Todos acham que fica mais caro, mas às taxas podem ser até menores do que na compra direta e é mais seguro."
Custo alto
A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) estimou nesta semana que 90 mil pessoas devem passar em dezembro pelo Aeroporto Governador José Richa, em Londrina. Muitos viajantes que foram ao local ontem chegaram cedo para fazer o check-in, mas não escaparam das filas nem deixaram de reclamar dos preços das passagens.
A dona de casa Rogeria Soares iria ontem com seis familiares para Canelas (RS). Apesar de a família ter se programado e feito todas as reservas há quatro meses, ela considerou alto o valor pago. "No Brasil, a passagem para alguns lugares é sempre muito cara."
O engenheiro civil Getulio Ribeiro viajaria na noite de ontem com a família para Ilhéus (BA), para visitar parentes, e comprou as passagens para quatro pessoas em 23 de novembro. "Teremos de passar a noite em São Paulo e completar a viagem amanhã cedo para pagar mais barato", diz. Mesmo assim, a filha Márcia reclamou do preço. "Se não tivéssemos usado as milhas que meu pai tinha, teria saído R$ 7 mil para quatro pessoas, ida e volta. É muito."
Bastante irritada, a secretária Mônica Cristina Santos tentava ontem diminuir o prejuízo que teve, ao tentar viajar com a filha de 7 anos. Ela comprou as duas passagens antecipadamente por R$ 211, foi ao aeroporto anteontem, mas não pôde embarcar para Curitiba porque a companhia informou que faltavam documentos da criança. O custo para transferir a viagem para ontem seria de R$ 1 mil, mas ela trocou de empresa aérea e pagou R$ 525, uma diferença de 148% para o valor gasto em novembro. "A diferença é exagerada. É uma exploração muito grande e o atendimento ainda é péssimo."


