Embora a semana tenha terminado de maneira assustadora, com elevação de taxas de juros para conter a saída de dólares e queda sucessivas de ações em todo o mundo, o final de ano poderá ser de mais tranquilidade. Na avaliação do consultor Rodrigo Marques de Almeida, da Queluz Asstmanagement, o consumidor brasileiro vai seguir a lógica do mercado, ou seja, se esforçar agora para poupar, ganhar rentabilidade, voltando a gastar no final do ano. Ele prevê que, em pouco tempo, devem pipocar liquidações porque os empresários também estão interessados em girar mercadorias para aproveitar as taxas atraentes do mercado financeiro.
Ele compara o cenário atual com outubro/novembro de 97, quando a crise dos países asiáticos causou pânico em todo o mundo. Inicialmente o turbilhão provocou um recuo no consumo, mas garantiu aumento de vendas no varejo - mesmo que em escala menor que no ano anterior.
‘‘Creio que o Natal deste ano vai ter movimento empatado com o do ano passado’’, aposta. Para o economista, haverá, em consequência das taxas altas, uma migração natural para as compras à vista. Ele acredita também que o consumo de fim de ano deverá se intensificar na segunda quizena de dezembro. Os lojistas também deverão desovar estoques, diz.
‘‘Juro alto é visto sempre como transitório e não significa um cenário recessivo’’, afirma. Sobre o próximo ano, o consultor é menos otimista e aposta em uma ação coordenada dos bancos centrais no sentido de reanimar a economia global, para evitar uma recessão generalizada. As nações - independentes de seu cacife econômico - terão crescimento tímido em 99, ele prevê. E acredita que os Estados Unidos crescerão cerca de 2%, os países europeus deverão ter expansão de 0,5% e a América Latina, incluindo o Brasil, crescerá em torno de 1%, assim como a Ásia. (P.L.)

mockup