'Fim das barreiras comerciais é medida cosmética'
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sábado, 30 de junho de 2012
Andréa Bertoldi <br>Equipe da Folha 
Curitiba - As medidas de flexibilização que a Argentina anunciou esta semana em relação ao comércio bilateral com o Brasil não devem resolver muito os problemas comerciais entre os dois países. A liberação de barreiras para um ou outro produto é algo muito específico e considerada uma medida cosmética. A opinião é do professor de Economia e presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço.
Desde quinta-feira, por exemplo, a carne suína produzida no Brasil foi autorizada a ingressar na Argentina. Esta medida foi a primeira no sentido de se cumprir um acordo informal fechado na última quarta-feira para destravar o comércio bilateral, acertado entre as secretárias de Comércio Exterior do Brasil, Tatiana Prazeres, e da Argentina, Beatriz Paglieri.
O que precisaria negociar é uma revisão completa do Mercosul. E agora, acabaram de sepultar o Mercosul com a saída do Paraguai, afirmou. Para ele, a entrada da Venezuela no bloco não acrescenta nada. Lourenço disse que as políticas econômicas e comerciais do Brasil e Argentina deveriam ser convergentes.
De acordo com ele, as retiradas de barreiras entre os dois países só vai ser significativa com a alteração das regras do Mercosul. No momento, o foco do Brasil é a recuperação da economia interna. A Argentina também sofre com o baixo crescimento econômico e a alta da inflação. Lourenço acredita que tudo ficará meio parado no comércio entre Brasil e Argentina até que ocorram definições na eleição para presidente no Paraguai no próximo ano.
O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes do Paraná (Sindicarne-PR), Péricles Salazar, disse que o setor de suínos vem enfrentando crise no Brasil com o baixo preço pago ao produtor devido à suspensão das exportações pela Argentina e pela Rússia. Ele acredita que a liberação da Argentina pode ajudar um pouco o setor. Salazar não tinha um levantamento de quanto o Paraná perdeu com a proibição das exportações para o país vizinho.
O professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fábio Scatolin, lembrou que o Mercosul é um mercado de 300 milhões de pessoas. Ele prevê que, de alguma forma, a queda de barreiras com a Argentina beneficie as indústrias automotiva e de suínos do Paraná.
Ele disse que, no fundo, a barreira comercial imposta pela Argentina é uma medida burra. Scatolin acredita que, sem estas restrições, indústrias que hoje não são competitivas no Brasil poderiam se instalar na Argentina. Para ele, o país vizinho ainda é muito protecionista e com visão antiquada. Com estas restrições, outros países acabam ganhando estes mercados como os chineses.
Desde fevereiro, a Argentina exige que os importadores argentinos peçam permissão antecipada para comprar produtos de outros países, aguardem a aprovação, que pode não ocorrer, e somente depois disso tenham acesso à mercadoria que adquiriram.
Como retaliação às barreiras, o Brasil vem restringindo desde maio a entrada de dez produtos que estão entre os mais exportados pelo país vizinho para compradores brasileiros.


