Com 17 votos favoráveis e a abstenção de Jacks Dias (PT), a Câmara Municipal aprovou ontem, em segundo turno e por unanimidade, o projeto 161/2011 do vereador Roberto Fú (PDT), que revoga a Lei da Muralha. A matéria agora segue para o prefeito Barbosa Neto (PDT) que tem 15 dias para vetá-la ou sancioná-la.
Na primeira votação, na quinta-feira da semana passada, o projeto tinha sido aprovado com 13 votos. Os vereadores Roberto da Farmácia (PTC), Rodrigo Gouvea (PTC), Sebastião dos Metalúrgicos (PDT) e Sandra Graça (PP) também haviam se abstido. Ontem, os três primeiros mudaram de ideia e Sandra Graça estava representando o Legislativo em evento externo na hora da votação.
A sessão de ontem contou com a presença de vários empresários ligados ao Movimento Londrina Competitiva (MLC). Eles foram à Câmara pressionar para que nenhum dos vereadores que apoiaram o projeto na semana passada voltasse atrás. O quórum mínimo para aprovar a proposta de Fú era de 13 votos.
A Lei da Muralha impede a implantação de grandes supermercados e lojas de materiais de construção em praticamente toda a cidade (leia mais nesta página).
Após a votação de ontem, os empresários comemoraram. ''Estamos felizes. O resultado foi além do esperado. Fizemos um trabaho sério e conseguimos convencer mais vereadores a votar contra a Muralha'', afirmou Oswaldo Pitol, um dos integrantes do MLC. Para ele, o placar estendido de ontem - 17 dos 19 vereadores aprovaram a revogação da lei - pode desestimular o prefeito a vetar o projeto. ''Vamos trabalhar para que ele não vete. A população não é idiota. A Muralha é uma reserva de mercado'', declarou.
Em entrevista à FOLHA na segunda-feira, Barbosa - que desde o ano passsado vem se manifestando a favor da manutenção da lei - disse que não havia se decidido sobre vetar ou sancionar o projeto de Fú.
Mas fez a seguinte analogia para defender a Muralha: ''O que seria do campo se não tivessem as matas ciliares para proteger os rios, se não houvesse a vegetação para preservar as nascentes. Os rios seriam assoreados e morreriam''.
Também presente na sessão de ontem, o empresário Flávio Meneghetti disse que voltou às pressas de São Paulo, onde cumpria agenda como presidente da Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores (Fenabrave), para acompanhar a votação. ''Nós que lideramos o Movimento Londrina Competitiva, por coerência, não podemos compactuar com uma lei que nada mais é que uma reserva de mercado'', justificou.
Meneghetti disse que conversou ontem com Barbosa Neto e cobrou dele a sanção do projeto que revoga a Muralha. ''O Movimento colocou dinheiro na Prefeitura. Dinheiro esse que tem ajudado o prefeito a fazer obras como o asfalto'', disse. O empresário se referia ao financiamento do Programa de Modernização da Gestão Pública pelos integrantes do MLC.
Cerca de 130 empresários londrinenses aportaram R$ 2,5 milhões na consultoria que visava aumentar a receita e reduzir as despesas da administração municipal - trabalho realizado no ano passado.
O imobiliarista Raul Fulgêncio disse que a luta contra a Muralha não era dele, ''nem do Pitol, mas de toda a cidade''. ''Isso (a derrubada da lei) é o que se espera de uma Câmara'', afirmou.
O autor do projeto, Roberto Fú, se disse aliviado após a votação e desejou que o prefeito mude sua postura em relação à Muralha. ''Espero que o prefeito não vete. Que ele se junte a nós pela liberdade de Londrina'', declarou.
Segundo o vereador, não é verdade que, sem a Muralha, ''qualquer empreendimento poderá se instalar em qualquer local da cidade'', compromentendo o planejamento urbano. ''O Plano Diretor obriga a realização do EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança). Nós vamos fiscalizar que o Plano seja levado a sério'', disse.

Imagem ilustrativa da imagem Fim da 'Muralha' agora só depende do prefeito



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