Rio - Com o reajuste no preço do botijão de gás, a Petrobras decretou o fim da intervenção do governo no preço do combustível, iniciada em agosto, quando a Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou a redução de 12,4% no preço cobrado pela estatal. Curiosamente, não foi a ANP que divulgou o fim da intervenção, mas a própria Petrobras, na mesma nota em que apresentou os reajustes de todos os combustíveis.
Segundo nota da estatal, ''o reajuste do GLP está amparado no despacho ANP nº 861/2002'', revogando outro despacho de 15 de agosto, que determinou a redução do preço. De folga devido ao feriado do dia do servidor público, a ANP limitou-se a explicar, através da sua assessoria de imprensa, que o despacho 861/2002 será publicado na segunda-feira.
O controle de preços do gás de botijão, justificaram representantes do governo na época, foi instituído para frear a alta do produto, que já acumulava 63,3% na refinaria e 39% para o consumidor. O GLP é um combustível de uso popular e tem significativo impacto no bolso das famílias de baixa renda.
O diretor-geral da agência, Sebastião do Rego Barros, disse na época que a intervenção seria suspensa se houvesse um ''casamento entre a queda na cotação do dólar e no preço do petróleo''. De fato, o preço do petróleo brent (negociado em Londres) era ontem cerca de 5% inferior aos US$ 26,72 cobrados por barril em 16 agosto, dia posterior ao anúncio da intervenção. A cotação média do dólar (ptax), porém, subiu 14,22% no período.
''O que o fim da intervenção confirma neste momento? Que era uma decisão política'', diz o presidente da Federação dos Revendedores de Gás Liquefeito de Petróleo (Fergás), Álvaro Chagas. Para ele, o preço voltará ao mesmo nível do período anterior ao controle, entre R$ 25 e R$ 26 por botijão. O governo esperava reduzir o preço do botijão para R$ 23, o que foi confirmado em setembro e outubro, segundo a ANP.

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