Washington -- A economia dos Estados Unidos saiu da guerra no Iraque como entrou: ''cambaleante'', segundo o secretário do Tesouro americano, John Snow. Os riscos de novos tropeços foram confirmados ao longo da semana por más notícias sobre desemprego, que aponta para a casa dos 6%, atividade industrial sem sinal de retomada e por uma inesperada briga entre senadores e deputados republicanos e a Casa Branca sobre o que fazer e o que não fazer para estimular a economia.
''Ninguém está otimista'' quanto às chances de o fim da guerra levar a uma rápida recuperação da economia americana e mundial, disse Frank Vargo, vice-presidente internacional da Associação Nacional da Indústria. (Os EUA têm um quinto do PIB mundial e têm sido a locomotiva do crescimento global.)
O economista-chefe da Standard&Poors, David Wyss, disse ao jornal Christian Science Monitor que o crescimento será ''mediano ou medíocre'', na faixa dos 2,2% previstos na semana passada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), cujas estimativas costumam ser otimistas.
A razão, segundo Wyss, é que os dois benefícios trazidos pelo fim da guerra - a queda do preço do petróleo de US$ 40 por barril para menos de US$ 30 e redução das incertezas provocadas pelo conflito - são anulados pela permanência dos problemas mais profundos que emperraram a economia nos últimos dois anos: os efeitos do estouro da bolha no mercado acionário e a ressaca dos escândalos corporativos, o excesso de capacidade instalada em muitas indústrias, o pesado endividamento das empresas e dos consumidores e, entre estes, a cautela nos gastos reforçada pela psicologia da guerra permanente contra o terrorismo.
Menos citado mas igualmente relevante é o impacto da profunda crise fiscal dos Estados americanos. O déficit de US$ 25,7 bilhões acumulado no ano fiscal que termina em 30 de junho e o buraco de quase US$ US$ 70 bilhões previsto para 2004 pela Conferência Nacional dos Legislativos Estaduais operam como ''obstáculo significativo'' para uma retomada, segundo 79% de um grupo de 61 economistas ouvidos pelo jornal USA Today. Os déficits não funcionam como estímulo porque forçam os governos a demitir pessoal, já que os Estados são proibidos por suas próprias constituições de operar no vermelho. De acordo com o economista chefe do Bank One Investment Advisors, Anthony Chan, as estimativas de déficit de Estados e municípios reduzirão em 0,5 ponto porcentual a taxa de expansão do PIB este ano.
Determinado a não repetir o exemplo de seu pai, que não se reelegeu em 1992, apenas 18 meses depois de ter ganho uma guerra contra o Iraque e atingido um recorde de 91% de aprovação, o presidente George W. Bush traçou uma estratégia para transformar os dividendos políticos de sua guerra contra Saddam Hussein em munição para reavivar a economia e garantir o segundo mandato em novembro de 2004.

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