Tony Barber
do ‘‘Financial Times’’
Para Rolf Breuer, presidente do Deutsche Bank, e seus colegas na instituição, o mundo deu uma volta completa no espaço de um mês. Em março, quando o Deutsche anunciou seus planos para tomar o controle do Dresdner, seu rival histórico na Alemanha, Breuer acreditava estar fechando o que prometia ser o mais importante negócio de sua carreira.
Breuer apresentou a proposta como uma medida que libertaria seu banco das algemas do mercado alemão, aumentaria o peso da companhia na Europa e permitiria que ela se tornasse parte da elite dos bancos de investimentos mundiais, dominada pelos EUA.
Hoje, não só a fusão com o Dresdner Bank desabou, como questões sérias estão sendo perguntadas sobre a coerência da estratégia do Deutsche Bank. O fracasso dessa fusão alemã também provoca dúvidas sobre a velocidade e a eficiência com que o superlotado setor bancário alemão será capaz de se consolidar.
‘‘Não sentimos que estamos ficando para trás. O acordo com o Dresdner se baseava primordialmente em considerações domésticas. A Alemanha corporativa vai mudar de qualquer maneira, e, com o tempo, haverá muitas oportunidades de negócios para o Deutsche’’, afirmou Breuer.
O banqueiro diz que, depois da aquisição do Bankers Trust, dos EUA, por US$ 9 bilhões, no ano passado, o Deutsche Bank já se provou um banco de investimentos bem-sucedido. Ele diz que não há lágrimas a derramar quanto à discussão sobre a Dresdner Kleinwort Benson, a divisão de banco de investimentos do Dresdner, que causou o colapso da fusão.
Para muitos observadores externos, no entanto, o Deutsche ainda não se provou como banco de investimento capaz de concorrer abertamente com empresas como o Goldman Sachs e o Morgan Stanley. A lista de clientes do Deutsche Bank é impressionante, mas as maiores fusões e aquisições tendem a ser conquistadas pelos rivais dos EUA.
A maior questão derivada do fracasso do acordo com o Dresdner é determinar se isso distrairá o Deutsche de suas ambições mundiais no ramo de banco de investimentos, forçando-o a se concentrar novamente no mercado doméstico de varejo, onde as margens de lucros são baixas.
A maior parte dos acionistas do Deutsche Bank concordam que o acordo com o Dresdner fazia algum sentido do ponto de vista doméstico. Mas a queda constante nos preços das ações de ambos os bancos, depois do anúncio da fusão, indica que os acionistas têm fortes reservas sobre as implicações mais amplas.
Uma objeção era a que o Deutsche Bank concordara em vender diversos de seus melhores ativos – especialmente a DWS, sua divisão de administração de patrimônio – para a Allianz, seguradora que ajudou a intermediar o negócio, a preços muito baixos. Outra objeção seriam os termos da transação, que os analistas independentes consideravam que favoreceriam o Deutsche Bank em detrimento do Dresdner.
No final, porém, o acordo fracassou devido a desacordos sobre o futuro da Dresdner Kleinwort Benson. Breuer diz que o Deutsche Bank desejava vender integralmente a divisão de banco de investimentos do Dresdner, mas iria manter a marca. O Dresdner queria fundir sua subsidiária com a subsidiária de banco de investimentos do Deutsche.
Visões diferentes Na opinião de Breuer, era uma proposta impraticável. ‘Estávamos falando de modelos de negócios completamente distintos’’. Se for esse o caso, os investidores têm o direito de duvidar: será que os dois bancos haviam considerado integralmente as implicações da situação em que estavam entrando com a fusão?
Isso sugere que o acordo pode ter saído dos trilhos devido a um choque múltiplo de personalidades – entre Breuer e Bernhard Walter, seu colega no Dresdner; entre membros dos conselhos dos dois bancos; e até mesmo dentro do conselho do Deutsche.
Para a Alemanha corporativa como um todo, o colapso da transação pode retardar o desmonte da teia de participações acionárias cruzadas entre bancos, seguradoras e grupos industriais que há muito é identificada como obstáculo à melhora da eficiência e transparência das companhias.
A fusão foi saudada como o acordo que transformaria a indústria financeira alemã, mas seu fracasso demonstra como ainda são grandes os obstáculos.
Tradução de Paulo Migliacci

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