Fim da fome é desafio da pesquisa agropecuária
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quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Reportagem Local 
Um feijão que apresenta cozimento rápido, alta produtividade e de quebra possui ótimas características culinárias e nutritivas, além de se destacar por ser adaptado às condições de alta temperatura e resistente às principais doenças. Essas características estão presentes nas sementes básicas do feijão desenvolvido pelo Instituto Ambiental do Paraná (Iapar). As variedades IPR Eldorado, IPR Siriri, IPR Gralha e IPR Tiziu foram obtidas por métodos tradicionais de melhoramento genético (sem uso de transgenia).
O feijão é apenas uma parte da contribuição da pesquisa que o Iapar desenvolve para consolidar o Brasil como um grande produtor mundial de alimentos. Ao longo de seus 35 anos de pesquisas, o instituto criou aproximadamente 140 cultivares de plantas, contribuindo para que o Paraná participe com cerca de 25% dos grãos produzidos no Brasil.
Essas cultivares estão difundidas em outros estados e países da América Latina e ajudam a minimizar a insegurança alimentar e nutricional mundial, que aponta 925 milhões de pessoas com fome no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) que celebra hoje o Dia Mundial da Alimentação.
Dentre as estratégias para assegurar a soberania nacional e a segurança alimentar da população é preciso produzir alimentos em quantidade e qualidade adequadas para a população. E, para isso, a tecnologia agropecuária brasileira busca gerar alimentos mais saudáveis e nutritivos. Produzir variedades mais produtivas, com maior qualidade nutricional e maior tolerância às pragas e às adversidades climáticas, respeitando a questão ambiental, tem sido nosso maior desafio, afirma o diretor técnico-científico adjunto do Iapar, Tiago Pellini.
Para ele, a tecnologia exerce um papel chave no que diz respeito ao desenvolvimento de alternativas de baixo impacto ambiental, com menor uso de insumos externos e mais eficientes no aproveitamento dos recursos locais. Podemos ainda produzir alimentos com qualidade intrínsecas mais saudáveis (por exemplo, com mais proteínas e minerais) ou que carreguem características nutracêuticas (princípios ativos terapêuticos ou de prevenção de doenças), complementa Pellini.
E é na busca da materialização desses objetivos que pesquisadores trabalham. O Programa do Trigo, por exemplo, faz uma média de 700 cruzamentos por ano. Hoje estão no mercado as variedades -IPR 85, IPR 118, IPR129, IPR130 e IPR 136. Cada uma delas tem uma característica específica e nós procuramos atender a diferentes tipos de demandas do mercado com qualidade tecnológica, afirma o pesquisador Lauro Akio Okuyama. Além do Paraná, hoje a cultivar IPR 85 está sendo produzida em São Paulo, Mato Grosso e no Paraguai. Não adianta ter um trigo de boa qualidade se o mesmo não tiver boa produtividade, se ele não for resistente a doenças, se não usar menos agrotóxico. Nossas variedades são desenvolvidas nesta direção.
As cultivares produzidas pelo Iapar correspondem a 28 espécies vegetais de especial interesse para a agricultura paranaense, tendo sido ainda desenvolvida a raça de bovinos Purunã. Além do feijão resistente a mosaico dourado, destacam também cafés resistentes à ferrugem e tolerantes a nematóides, de algodão e trigo de boa qualidade industrial, além de outras voltadas à diversificação da atividade agrícola, tais como mandioca, batata e batata-doce e ervilha.


