Fim da exclusividade entre cartões favorece competição
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sexta-feira, 07 de agosto de 2009
Célia Froufe<br> Agência Estado 
Brasília - A decisão anunciada ontem pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) de suspender a exclusividade das operações da Visa com a Visanet é um passo importante para o aumento da competição no mercado de cartões de crédito no Brasil. Quem avalia e aprova a medida é o novo presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Paulo Rogério Caffarelli, que há uma semana está no cargo, no lugar de Aldemir Bendine, hoje, presidente do Banco do Brasil.
''A Redecard já não tem mais exclusividade com a Mastercard, e a Visanet não terá também (com a Visa) a partir de junho do ano que vem. Esse é um processo saudável de estímulo à competição e que resolve a questão do compartilhamento'', disse.
A ampliação do compartilhamento, citado por Caffarelli, é um dos pontos centrais em que o governo quer atuar. A intenção é permitir que uma só máquina passe todas as bandeiras de cartões, evitando que o lojista tenha que alugar várias equipamentos. O aluguel desses equipamentos é um custo para o lojista e, quanto menor o estabelecimento, maior a dificuldade de fechar contrato com mais de uma bandeira.
Até então, o comerciante que quisesse trabalhar com a bandeira Visa tinha que necessariamente contratar a Visanet. O mesmo valia para Mastercard e Redecard, mas recentemente, a SDE também abriu processo administrativo contra a Redecard. A decisão desta semana foi, portanto, uma investida clara do governo na tentativa de quebra da estrutura do setor, que, segundo um levantamento conjunto do Banco Central, a SDE e a Secretaria de Assuntos Econômicos (SEAE), do Ministério da Fazenda, apresentado em março, impede a entrada de novos competidores no setor, explorado praticamente por um duopólio.
Essa quebra de contrato de exclusividade também poderá ajudar na ampliação do faturamento do setor, que deve contar com novas empresas. Se no ano passado o faturamento da indústria de cartões de crédito foi de R$ 375 bilhões, a expectativa é a de dobrar esse volume em quatro anos, passando para R$ 800 bilhões.


