Rio de Janeiro - O fim da deflação nos preços dos produtos agropecuários no atacado (de -1,94% para 0,67%) e nos de alimentação no varejo (de -0,01% para 1,02%) levou à aceleração na taxa do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que subiu 0,26% em junho, ante aumento de 0,16% em maio. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.
Entretanto, ele considerou que, ao se comparar os preços do atacado com os do varejo, a inflação nesse primeiro setor contribuiu muito mais do que a do segundo para o resultado maior do indicador. ''Não podemos nos esquecer de que o atacado pesa o dobro do varejo na formação do IGP-DI. Embora a aceleração do IPC (de 0,25% para 0,42%) tenha sido mais intensa do que a do IPA (de -0,04% para 0,09%), esse último pesa mais no cálculo do índice'', afirmou. ''O IPA teve mais impacto na aceleração (do IGP-DI)'', disse.
No caso do setor atacadista, o economista destacou dois segmentos específicos, dentro da área de alimentação: o de alimentos processados e o de matérias-primas brutas comercializáveis. Os dois registraram altas expressivas de preços, respectivamente de 0,92% e de 2,36% em junho - sendo que, em maio, as quedas respectivas de preços nesses segmentos eram de 0,37% e de 0,05%.
Para Quadros, o mais relevante, a longo prazo, é a movimentação de preços nos alimentos processados. Isso porque esse segmento tem como uma das características sinalizar futuras altas e acelerações de preços nos alimentos do varejo. ''Os aumentos nos alimentos processados se transformam rapidamente em acelerações para o consumidor'', afirmou.
Já no caso dos itens comercializáveis, o economista lembrou que esse segmento representa basicamente as commodities. Entre os destaques estão as acelerações de preços em soja em grão (de 0,37% para 2,44%) e bovinos (de -1,48% para 1,71%).
Entressafra Quadros comentou que a inflação dos alimentos, atualmente, está sendo influenciada pelo começo de entressafra de vários produtos importantes. Além de diminuir a oferta no mercado interno, o setor de alimentação também tem que lidar com a flutuação de preços do mercado internacional - que também acaba afetando o mercado interno.
Ainda de acordo com o economista, a movimentação de alta nos preços dos alimentos no varejo é reflexo do repasse, para o consumidor, dessa atual onda de elevação de preços dos produtos agropecuários no setor atacadista.

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