Fim da Copa traz ânimo ao comércio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de julho de 1998
Cláudia Lopes 
O fim da Copa do Mundo deve melhorar as vendas no comércio de Londrina, esperam os lojistas. Para a maioria, o Mundial atrapalhou o faturamento no último mês. A queda foi de até 30%. Eles reclamam que durante os 32 dias de jogos o consumidor se interessou apenas por futebol. Ao contrário das Copas anteriores, as vendas de televisores não aumentaram. Mas alguns segmentos como o de camisas da seleção brasileira e bebidas foram beneficiados. As camisas verde e amarelo foram a salvação da lavoura para alguns comerciantes. Os dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) mostram uma queda de 20,11% no número de consultas entre os dias 10 de junho e 12 deste mês - início e término do Mundial - em relação ao mesmo período de 97. Foram 101.775 consultas contra as 127.402 feitas no ano passado.
O resultado da final de domingo, quando o Brasil perdeu por 3 a 0 para a França, acabou afastando ontem o consumidor das lojas, segundo os comerciantes. No centro da cidade, o clima era de desânimo. O gerente da BJ Santos, Pedro Donizetti dos Santos, acredita que os londrinenses estavam mais interessados em buscar uma resposta para a derrota de domingo. Não vendemos nada na loja pela manhã. O gerente do Ponto Frio, João Antonio de Oliveira, também se decepcionou com a venda de televisores durante este Mundial. Em 94, vendemos o dobro.
Josoé de CarvalhoO dia seguinteAntonio Verza Filho: O consumidor ficou de baixo astral por causa da derrotaNo Descontão, as vendas diminuíram 20% nos 32 dias de jogos em relação ao mês anterior, segundo o gerente Antonio Verza Filho. A Copa esfriou o comércio. Destes 20%, 15% é por conta do Mundial e 5% da queda deve-se à instabilidade da temperatura neste inverno. As vendas de ontem foram 30% menores do que o movimento habitual. O consumidor ficou de baixo astral por causa da derrota.
Apesar da venda de confecções no Pacotão ter caído 30%, o comerciante Abdul El Kadri conseguiu faturar com a comercialização de camisas da seleção brasileira. Foi o que salvou o comércio nesta Copa, diz ele, que vendeu cerca de 5 mil unidades, a R$ 12 (adulto) e R$ 10 (infantil). Ontem à tarde, El Kadri desencalhou outras 42 camisetas para um grupo de estrangeiros.
Gilberto Rodrigues, proprietário da Verinha Confecções, diz ter conseguido faturar 30% mais do que o normal apenas com a venda de camisetas da seleção brasileira. No sábado passado, a venda se equiparou ao Dia dos Namorados. A procura foi tanta que tive que ir à fábrica duas vezes para repor o estoque, conta. Durante a Copa, ele vendeu 4 mil unidades de camisas da seleção, que custam R$ 12,90. Ontem as vendas caíram 50%.


