A atual crise financeira internacional, com a falência de grandes bancos e as perdas constantes nas Bolsas de Valores em todo o mundo, representa o fim do capitalismo na forma como o sistema era praticado até há um mês atrás. A análise é do professor Antonio Fernandes Nascimento Junior, da Unesp de Bauru. Ele participou na última semana do Ciclo de Estudos na Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), em Londrina.
  Para Nascimento, a atual crise não é nenhuma novidade sob a ótica da filosofia. ‘‘No século 19, alguns filósofos já anunciavam que havia dificuldades técnicas e teóricas para o capitalismo se sustentar por muito tempo’’. Segundo ele, o modelo desmoronou a partir do momento em que o Estado precisou investir muito dinheiro para evitar a bancarrota total.
  Os países mais afetados, ao aplicarem dinheiro do Estado para amenizar a crise, usaram recursos da própria sociedade na tentativa de manter o sistema. ‘‘O que houve na prática foi uma intervenção’’, disse. O prejuízo foi dividido entre todos. Nascimento lamenta, porém, que quando a situação estava teoricamente sob controle, não houve a aplicação do mesmo princípio. ‘‘Houve a socialização das perdas, mas não houve a socialização dos lucros. Quem ganhou, ganhou duas vezes: ganhou quando especulou e ganhou porque recebeu apoio dos governos capitalistas.’’
  Ele complementa dizendo que ‘‘é preciso que a sociedade comece a se organizar para resolver este conflito entre aqueles que tem a riqueza e aqueles que geram a riqueza’’.
  Mesmo assim, o filósofo acredita que a atual crise internacional pode interferir de modo positivo no modo de ser e de viver das pessoas. ‘‘Parece uma contradição, mas é possível que a sociedade caminhe para uma ideologia menos individualista e talvez um pouco mais regionalista.’’
  Seria o fim da globalização? ‘‘Se não for, é um aceno muito grande para a globalização acabar porque não se justifica mais um tipo de economia baseada no modelo neoliberal.’’

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